CRÍTICA: Uma Noite Fora de Série

Comédia
// 08/04/2010

Steve Carell e Tina Fey, com seus nomes, carregam o marketing da produção. São eles que chamam a atenção do público para o longa, e assim alavancam as vendas. Mark Wahlberg, outro ator prestigiado, também tem o nome vinculado ao elenco. No entanto, marketing é marketing. Engana-se quem acha que vai encontrar uma comédia de primeira.

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Uma Noite Fora de Série
por Henrique Marino

Steve Carell escreveu e atuou O Virgem de 40 Anos, que foi uma boa comédia; protagonizou Agente 86, e foi bem recebido por esse trabalho, e atuou em Pequena Miss Sunshine, em que fez um bom trabalho e é, sem dúvida, o melhor filme em que esteve. Além desses trabalhos cinematográficos, atua na série The Office, pela qual recebeu cinco indicações ao Globo de Ouro nesses últimos anos. Deste modo, Steve Carell é um nome de peso na comédia. Em Uma Noite Fora de Série ele faz o possível dentro de seus limites e se mantém íntegro ao seu estilo interpretativo – que, em geral, compreende nuances simples que resvalam positivamente em momentos pastelões –, mas só sua atuação não pode valer “uma inteira”.

Tina Fey também tem um nome forte nos Estados Unidos. Escrevendo, produzindo e atuando em 30 Rock, ela é uma das personalidades femininas mais influentes ligadas à comédia. Em suas três indicações ao Globo de Ouro (2008, 2009 e 2010), por atuação nesta mesma série, já arrematou dois prêmios para casa. É válido dizer que Tina também escreveu inúmeros episódios de Saturday Night Live, um dos programas de comédia mais famosos da televisão americana. No entanto, de toda essa bagagem intelectual que Tina traz consigo, pouca foi utilizada. Tudo a que ela se presta, é atuar. Embora tenha um estilo bem definido neste quesito, seu talento é mal aproveitado.

Uma Noite Fora de Série conta a história de um casal da classe média que, para fugir da rotina e escapar de um alarmante divórcio, tenta passar uma agradável e agitada noite em Manhattan. Ao tomarem a mesa de outro casal num restaurante badalado, acabam sendo confundidos com ladrões. Enrascados assim, o simples casal passa uma noite pra lá de eletrizante.

Shaw Levy, o diretor, parece não ter jeito com a câmera. Sua linhagem de filmes medíocres, porém engraçadinhos e às vezes válidos, serve aqui para atestar sua incompetência em extrair o melhor do casal de atores. Seu estilo descompromissado em filmar é simpático ao público em geral, mas, neste longa, sabendo-se para quem as câmeras estão apontadas, ficou claro que Shaw Levy empregou mal os seus atributos como diretor, e deixou a desejar.

A mesma crítica serve para os produtores que, ao invés de elencar um roteirista ao nível dos atores, escolheram um novato. Josh Klausner tem alguma sagacidade e escreve bons momentos com diálogos simples capazes de arrancar alguns sorrisos. No entanto, assim como a direção de Levy, seu texto retira o poder da comicidade das mãos dos atores principais, o que é uma pena e até um sinal perigoso. Buster Keaton, grande comediante comparado apenas a Charles Chaplin, teve seu gênio criativo tomado por contratos com estúdios. O mesmo fantasma culpado pela decadência de Keaton, ainda pode estar rondando Hollywood.

Assombrações e críticas a parte, Uma Noite Fora de Série resguarda leveza e traz à tela um bom alívio cômico embalado ora por ação e perseguição, ora por uma sutil crítica ao casal moderno. O ritmo é limpo e a química do casal é ótima. Não existe aqui um ótimo exemplar de comédia, mas existe o suficiente para ganhar a simpatia e os sorrisos do espectador – o que vem a calhar, em vista de algumas comédias por aí.

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Date Night (EUA, 2010). Comédia. 20th Century Fox.
Direção: Shaw Levy
Elenco: Steve Careel, Tina Fey e Mark Whalberg.

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Comédia, Críticas