CRÍTICA: Uma Noite no Museu 2

Aventura
// 21/05/2009

Após o sucesso de Uma Noite no Museu nas bilheterias, o diretor Shawn Levy se viu na difícil tarefa de fazer uma seqüência maior e melhor que o filme matriz. Contudo, auxiliado por uma produção e elenco bastante ajeitados e até mesmo premiados pelos Academy Awards, munido de referências e citações dentro e fora do cinema – e com novas idéias na cabeça – Shawn Levy conseguiu cumprir sua missão com bastante leveza, produzindo um bom filme família.

E, se você ainda não leu, confira aqui um artigo especial sobre os atores Robin Williams e Ben Stiller, para ir aquecendo para a estreia amanhã.

Uma Noite no Museu 2
Por Henrique Marino

Na sequência de Uma Noite no Museu, Ben Stiller, para surpresa, não volta como um guarda noturno; sua carreira como “inventor” alavancou e logo no início do longa-metragem nos deparamos com um Larry empresário que faz propagandas televisivas de seu produto com a participação especial de George Foreman. Pouco em seguida, os problemas começam a pipocar: num eventual passeio ao museu onde trabalhava, descobre que seus amigos – que só ganham vida à noite – serão trocados por peças tecnológicas e interativas – hologramas que falam e tudo o mais. Pesaroso, o guarda noturno conforma-se com o infeliz fato. Quando todas já foram transferidas para outro museu, ele recebe um telefonema de Jedediah, o bonequinho caubói interpretado por Owen Wilson, pedindo ajuda desesperadamente a Larry, pois todos estão em apuros e enfrentam uma grande ameaça.

Assim, a trama já tem sua estrutura básica montada e, por sinal, bem diferente do primeiro da série. Naquele, Larry encara e descobre os problemas de um guarda noturno onde tudo ganha vida durante à noite, mas isso sem grandes vilões ou ameaças previamente definidos, também há a ausência de algum romance palpável que permeie a história. Ao contrário, neste, grandes vilões como Al Capone, Napoleão e Ivã o Terrível acordam juntos de seus sonhos megalomaníacos, se unem e trazem não só uma forte ameaça, mas também uma carga de comédia que não pudemos ver no primeiro longa; também acordada graças à tábula de ouro capaz de trazer à vida as peças do museu, Amelia Earhart (interpretada por Amy Adams, aquela que foi indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante por Dúvida), a primeira aviadora da história, aparece para adocicar um pouco mais a história com seu feminino espírito aventureiro, além disso, ela traz um superficial clima de romance, romance tal que é sustentado por três estátuas de Cupidos cantantes – uma graça.

Ao mudar esse foco no roteiro, prezando por mais ação, aventura e grandiosidade, o diretor só teve uma saída para resolver esse problema: transportar a história para o maior complexo de museus do mundo, o Instituto Smithsonian; lá, graças à magia do cinema, deslumbramos as graças vívidas de obras famosas como O Pensador de Rodin e Abraham Lincoln de Daniel Chester French escalarem o time dos mocinhos; também há uma pequena surpresa quando vemos que não só esculturas podem ganhar vida, mas pinturas também – ao estilo dos quadros do mundo de Harry Potter -, com a diferença de que vemos obras como as de Pollock e Roy Lichenstein se animarem. Especialmente em dado momento, Larry e Amelie Earthart mergulham na mais famosa fotografia de Eisentaedt para escapar de soldados egípcios. É uma bagunça de entroncamentos históricos impossíveis bastante gostosa de ver; talvez resida aí o trunfo de Uma Noite no Museu.

Somando tudo isso, as possibilidades de situações engraçadas se triplicam. Nesse quesito, não há dúvida, o filme se mostra superior ao primeiro, arrancando boas gargalhadas de uma sala repleta de críticos. São pouquíssimas as piadas que sobreviveram do anterior para esta nova história; a maioria se mostra nova, mas geralmente ao estilo “natural” de Bem Stiller, sem muitas exasperações da parte deste – situação contrária a dos personagens vilanescos, que são bem caricaturados por seus atores. Assim, toda a trama é bem recheada de comédia, o que pareceu faltar um pouco no primeiro.

Apesar de toda essa superioridade revelada pela grandeza dessa segunda produção em relação à primeira, não se trata, porém, de nenhuma obra-prima se comparado a outros grandes filmes do gênero. Um bom filme, mas sem exageros.

Night at the Museum 2: Battle of the Smithsonian (EUa, 2009). Comédia. Aventura. 20th Century Fox
Direção: Shaw Levy.
Elenco: Ben Stiller, Amy Adams, Robin Williams e Owen Wilson.

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