CRÍTICA | Valente

Animações
// 19/07/2012

Valente, o mais novo lançamento da Disney/Pixar tem uma protagonista ousada, destemida e determinada. Mas infelizmente o mesmo não pode ser dito do filme em si.

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Valente
por Victória Salles 

A primeira princesa da história da Pixar se chama Merida (Kelly Macdonald), que com seus cabelos ruivos e encaracolados prefere seu arco e flecha às obrigações da coroa. Obrigações essas impostas por sua mãe Elinor (Emma Thompson), que acredita que o futuro da filha depende de suas boas maneiras e criação adequada para uma rainha. E é esse conflito entre mãe e filha que guia o filme do começo ao fim. E mesmo que em seu desenrolar coisas sobrenaturais tirem um pouco o foco principal, essa dinâmica entre a princesa e a rainha se destaca como uma das melhores coisas em Valente.

As nuances e profundidades de um relacionamento mãe-filha são muito pouco exploradas como tema cinematográfico no geral e em Valente os roteirista Mark Andrews, Steve Purcell, Brenda Chapmam e Irene Mecchi fizeram um belíssimo trabalho em retratar um assunto tão feminino e complexo com tamanha veracidade e emoção, fazendo com que o filme acabe cativando muito mais o público feminino do que o masculino. Infelizmente esse é um dos únicos pontos altos da animação, que em diversos momentos não parece nem ter sido feito pela mesma produtora de clássicos como Toy Story, Procurando Nemo e Up – Altas Aventuras.

A trama irregular possui mais baixos do que altos, tendo um começo muito bom ao apresentar a protagonista como uma menina geniosa e forte tentando quebrar padrões de um reino antigo, mas perdendo o fôlego logo que os elementos sobrenaturais começam a tomar conta da história. A partir do momento em que Merida encontra a bruxa que lhe venderá um feitiço, o enredo fica incrivelmente previsível, algo estranho aos roteiros da Pixar. A impressão que fica é que os personagens secundários do filme – como o Rei e sua obsessão Mobydickiniana com o urso malvado – não se encaixam na trama.

Buscando sempre a risada fácil em elementos óbvios, como o grande urso afeminado ou as estripulias dos pequenos trigêmeos, Valente acaba se tornando monótono em seu segundo e terceiro atos, deixando aos coadjuvantes Lord Macintosh (Craig Ferguson), Lord Dingwall (Robbie Coltrane) e Lord MacGuffin (Kevin McKidd), e seus respectivos clãs, a missão de carregar toda a verdadeira graça do longa nas costas. Como se não fosse o bastante, a péssima dublagem exibida no Brasil torna trechos importantes do filme em diálogos insuportavelmente irritantes, como no momento em que mãe e filha falam sozinhas o que deveriam falar uma para a outra (caso haja a opção, assista ao filme em cópia legendada).  Mas apesar de todas as falhas, o longa apresenta um visual incrível, com paisagens de tirar o fôlego em mais uma grande atuação da equipe de animação da Pixar.

Valente, de fato, tem sérios problemas e certamente é o pior filme do estúdio até o momento. Mesmo assims consegue ser melhor do que as outras grandes animações que estrearam este ano – isso porque o curta metragem La Luna, exibido antes da animação, é simplesmente maravilhoso e fatalmente, sozinho, já vale o preço do ingresso. Uma pena, entretanto, que nem todos os filmes da Pixar possam ser tão perfeitos quanto os cabelos de Merida.

 

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Brave (EUA, 2012). Animação. Disney/Pixar.
Direção: Mark Andrews
Elenco de dublagem: Emma Thompson, Kelly Macdonald, Billy Conelly, Kevin McKidd

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Animações, Críticas