CRÍTICA | Venom

Ação
// 05/10/2018
venom

Venom chega aos cinemas em um momento que já pode ser considerado posterior ao “boom” do nicho de filmes baseados em histórias em quadrinhos que viemos testemunhando nos últimos anos. A Marvel está prestes a finalizar um ciclo iniciado já há uma década, com o primeiro Homem de Ferro, enquanto a DC Comics/Warner praticamente já reconheceu o fracasso de sua tentativa inicial de construir um universo cinematográfico compartilhado semelhante ao da teórica companhia rival.

Esse momento pode ser considerado o ideal para o lançamentos de obras que ainda surfem na onda de reconhecimento e popularidade desses filmes, mas tentem coisas novas, como, por exemplo, uma história voltada para o horror e a ficção científica, sobre um anti-herói/vilão cujo design espetacular foi, ao longo da maior parte de sua trajetória pelos quadrinhos, um atrativo muito maior do que a qualidade do material lançado em seu nome.

Infelizmente, a adaptação cinematográfica solo desse personagem que surgiu, originalmente, como um uniforme do Homem-Aranha é uma realização capenga, com momentos interessantes e até genuinamente assustadores, mas prejudicada por uma evolução mal ajambrada do roteiro, um antagonista pífio e personagens que, embora sejam interessantes e mesmo cativantes, em boa parte pelo trabalho dos ótimos atores envolvidos, também parecem ser abordados de forma inconsistente e desastrada por roteiristas, pelo diretor Ruben Fleischer, de Zumbilândia.

O desenvolvimento da trama tem início de forma interessante, mas que progride em ritmo frouxo e desanimadoramente lento, e o filme parece efetivamente hesitar em avançar para o momento em que Venom se torna uma entidade formada e ativa nos acontecimentos. Antes disso, passamos um longo tempo sendo apresentados à vida pessoal e profissional de Eddie Brock (Tom Hardy), mas, apesar do carisma do ator e da coprotagonista Michelle Williams, como a advogada Anne Weying, mesmo esses elementos não são desenvolvidos a contento, e as reviravoltas iniciais em ambos os campos acontecem com frieza e pressa chocantes, e não de uma forma que denote personalidade por parte da direção. Na verdade, parece apenas descaso, mesmo.

Quando entramos, por fim, na sequência-de-sequências de ação e tensão que se estende por praticamente toda a segunda metade do filme, a coisa fica mais interessante, especialmente porque, por mais que os efeitos especiais não sejam perfeitamente consistentes ao longo de todo o filme, Venom em si parece extremamente intimidador e perigoso, e tem alguns momentos icônicos, ainda que também seja apresentado de forma caricata em um punhado de outros. O longa se arrasta rumo à conclusão apenas satisfatória, e uma cena pré-pós-créditos que é mais interessante que boa parte do próprio filme, mas também um tanto clichê. Pelo menos, há, nitidamente, potencial para uma sequência redentora. O que já é mais do que se pode dizer sobre boa parte dos filmes da DC.


Venom (EUA, 2018). Ação/Ficção científica. Columbia Pictures /Marvel Entertainment.
Direção: Ruben Fleischer
Elenco: Tom Hardy, Michelle Williams, Riz Ahmed, Jenny Slate, Ron Cephas Jones.

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