CRÍTICA: Veronika Decide Morrer

Críticas
// 18/08/2009

Outra adaptação chega aos cinemas nesta sexta-feira. Veronika Decide Morrer, baseada na obra do brasileiro Paulo Coelho, repete em tela alguns dos erros narrativos do livro que o originou. Mesmo assim, é um bom começo para esta que pode ser uma carreira de outros produtos nacionais no cinema mundial.

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Veronika Decide Morrer
por Cássia Ferreira – colaboradora

Depois de ser traduzido para 67 idiomas, editado em mais 150 países e de se configurar como queridinho por celebridades do calibre da Madonna e até se tornar membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), Paulo Coelho chega agora às telas do cinema com a adaptação de seu romance publicado em 1998, Veronika Decide Morrer.

A personagem título do longa, que trata dos limites entre loucura e sanidade, é vivida pela eterna caça-vampiros Sarah Michelle Geller, que entrou no papel depois que Kate Bosworth (Superman – O Retorno) desistiu da empreitada. Com estreia prevista para o próximo dia 21 de agosto, o filme conta a história de uma filha de emigrantes eslavos que acorda em um hospital psiquiátrico depois de uma tentativa mal sucedida de suicídio. No local, Veronika descobre que seu tempo de vida, devido às sequelas da tentativa de se matar, é bastante curto. No comando da clínica Villete está o Dr. Blake (David Thewlis, da série Harry Potter), que utiliza práticas pouco ortodoxas para o tratamento de seus pacientes.

Permeada por uma Nova Iorque outonal – meio marrom, meio cinza –, a sequência inicial insere uma reflexão sobre as nossas escolhas, os caminhos pelos quais essas escolhas nos levam e ainda suas consequências. Na cena, Veronika vai roteirizando sua vida: as escolhas profissionais, os relacionamentos, a família que constituirá, a hipoteca que pagará, o marido com quem compartilhará a história; a vida perfeita que muita gente almeja está toda desenhada para ela, mas não é isso o que deseja.

Por essas e outras razões, Veronika decide morrer e a passagem mais interessante e intensa do longa acontece quando ela está no processo. A organização e o método aparecem até na hora de arrumar os remédios com os quais pretende consumir o fato. A analogia para a morte, como um mergulho em um lago profundo e iluminado, possui intensidade. E o reencontro da personagem consigo mesma, indicando que o processo foi mal sucedido, também é alcança profundo êxito.

De uma forma geral, tem-se um filme com elenco mediano e a direção de Emily Young parece que transcorreu com tranquilidade. O desenrolar da ação é um pouco lento e apresenta longas sequências de Sarah Michelle Geller tocando piano na clínica enquanto tenta resolver seu problema com a morte. E parece que consegue ao findar de uma sequência, no mínimo, inusitada – em que contracena com um dos pacientes, Edward (Jonatha Tucker) internado por se culpar pela morte da namorada. A adaptação é uma narrativa de poucos recursos tecnológicos, uma vez que toda a trama se desenrola no drama existencial da personagem.

Embora não tenha a proposta de ser um filme romântico, dá indícios que só o amor é redentor. Surge daí toda a sorte de baboseiras de autoajuda que costumam ser proferidas pelo autor do livro homônimo e que foi bem propagada pelo personagem Dr. Blake: como temores que a curará de todo mal de sua insanidade – uma prova clichê de superação.

Esta é a primeira obra do escritor brasileiro a ser adaptada para o cinema. No entanto, outras já tiveram os direitos vendidos e devem chegar às telonas em breve. O Alquimista e Onze Minutos são dois deles. Curiosamente, em entrevista publicada no Segundo Caderno (O Globo, 9 de agosto) Paulo Coelho afirmou ter se mantido longe do processo de adaptação da obra por preferir entrar no cinema, ver o filme e  concluir: “adorei” ou “odiei”.

O filme tem duração de 103 minutos e é uma oportunidade interessante de verificar o que pode ser feito com a adaptação do cultuado – embora não unânime – autor brasileiro. Cabe a você, leitor, decidir correr esse risco.

nota_5
Veronika Decides To Die (EUA, 2009). Drama. Imagem Filmes.
Direção: Emily Young
Elenco: Sarah Michelle Gellar, Jonathan Tucker, David Thewlis.

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Críticas, Drama