CRÍTICA | Vida

Críticas
// 20/04/2017

Roteiro, produção, direção, execução, atuações, orçamento, fotografia… fatores relativamente objetivos, que inclusive são os levados em conta nas premiações, mas que empalidecem frente a outro elemento muito mais subjetivo da experiência cinematográfica: expectativas. Vida é um horror espacial decente que sofre com o peso criado a partir de um belo elenco, premissa interessante, título ambicioso e um contexto rico de ficção científica criado nos últimos anos por ótimos filmes do gênero como A Chegada e Interestelar.

O filme, dirigido pelo sueco Daniel Espinoza (?), conta a história da tripulação multicultural da Estação Espacial internacional (ISS, na sigla em inglês) a partir do momento em que resgatam uma célula alienígena, em animação suspensa, de uma sonda que acaba de cumprir uma missão de reconhecimento em solo marciano. A equipe logo descobre que as capacidades de crescimento e adaptação desse espécime vão muito além de qualquer coisa conhecida, e podem se provar extremamente letais.

Para sermos justos, o modesto orçamento de US$ 58 milhões está bem distante dos US$ 100 milhões de um Gravidade, que seria um correspondente mais próximo da abordagem moderna e “realista” da tecnologia aeroespacial que encontramos em Vida, e a anos-luz das extrapolações visuais de um Passageiros, por exemplo, e isso é amplamente visível na economia em tomadas externas à ISS. Passamos quase todo o tempo de exibição dentro da estação espacial, o que, por outro lado, cria uma atmosfera claustrofóbica que contribui com a tensão que também está presente por praticamente o mesmo período.

Ryan Reynolds, atuando no piloto automático do astronauta bonitão-engraçadinho Rory Adams, infelizmente interage pouco com o Dr David Jordan de Jake Gyllenhaal, que por sua vez também segue a praxe de seus papéis habituais ao injetar profundidade e uma bem-vinda dose de humor negro ao seu Dr. Jordan. Hiroyuki Sanada, conhecido por seus trabalhos em Wolverine Imortal, a série Lost e outra memorável sci fi, Sunshine – Alerta Solar, de 2007, também se destaca ao levar o piloto Sho Murakami além do básico, bem como Olga Dihovichnaya na pele da oficial russa Ekaterina Golovkin. O bom elenco é completado por Rebecca Ferguson como a especialista em quarentena Miranda North e Ariyon Bakare como o biólogo Hugh Derry.

Conforme a trama avança e esse talvez nem seja o termo apropriado, uma vez que há pouca evolução real dos temas tratados , a direção inicialmente segura de Espinoza vacila, e algumas situações e decisões não parecem realmente justificadas. O suspense torna-se prioridade em detrimento a desenvolvimentos lógicos, ainda que seja insinuada uma interessante reflexão sobre a natureza dos seres vivos. No fim, uma virada previsível e desnecessária reforça o tom equivocado que começa a predominar no terço final do filme, e a sensação que fica é a de uma ótima oportunidade desperdiçada.


Life (Reino Unido, 2017). Ficção científica / Terror. Columbia Pictures.
Direção: Daniel Espinoza
Elenco: Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson, Ryan Reynolds, Hiroyuki Sanada, Ariyon Bakare, Olga Dihovichnaya.

6-pipocas

 

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