CRÍTICA | Wolverine: Imortal

Ação
// 25/07/2013
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No que pode ser considerado uma ponte entre as histórias dos primórdios dos mutantes contadas em X-Men: Primeira Classe e no primeiro filme do canadense invocado e a união desses dois universos no iminente Dias de um Futuro Esquecido, Wolverine: Imortal chega mais perto do que nunca da essência do personagem no cinema, mas perde impacto com uma trama vacilante e ação confusa.

O mutante que durante muito tempo foi conhecido apenas como Logan – até que sua identidade original como James Howlett foi revelada – teve até aqui uma caracterização cinematográfica paradoxalmente prejudicada por sua própria imensa popularidade. Diante do destaque exagerado do personagem nos três primeiros filmes dos X-Men e suas consequentes necessidades narrativas, nunca foi possível retratá-lo de fato no que faz melhor: atuar como um guerreiro impiedoso e extremamente eficiente. Neste novo longa, o diretor James Mangold (de Johnny & June e o ótimo faroeste Os Indomáveis, de 2007) se distancia da trama de X-Men Origens: Wolverine para contar uma história passada depois de todos os filmes já lançados sobre os mutantes, mas não deixa de tocar o passado de Logan.

Após a morte de Jean Grey (Famke Janssen) e a aparente dissolução dos X-Men, Wolverine voltou para seu recorrente status de reclusão, e agora vive, isolado e barbudo, próximo a uma pequena cidade de localização indefinida, onde tem pesadelos recorrentes envolvendo a telepata ruiva e um traumático episódio durante o fim da Segunda Guerra no Japão, quando salvou a vida de um jovem soldado e os dois ficaram presos em um poço. Ao se envolver em uma briga de bar com um grupo de caçadores irresponsáveis, Logan conhece Yukio (Rila Fukushima), do clã Yashida – cujo patriarca é o combatente japonês que ele salvou mais de meio século atrás, interpretado por Haruhiko Yamanouchi nas sequências atuais e Ken Yamamura nos flashbacks. O agora ancião está à beira da morte, e quer reencontrar o homem a quem deve a vida. Relutante, Logan concorda em viajar para a fortaleza de Yashida, que também comanda uma multinacional tecnológica, no Japão.

Obviamente, as intenções do moribundo não incluem apenas uma reunião de velhos camaradas. Sem se surpreender com a aparência exatamente igual de Logan décadas depois, Yashida faz uma proposta: assumir o fator de cura do mutante, e assim livrá-lo do “fardo da imortalidade”, que o faz continuar vivo enquanto todos que ama morrem. O canadense, como todo imortal atormentado do cinema, se recusa a abdicar dessa “maldição”, e deixa o antigo companheiro de guerra à própria sorte apenas para receber, já no dia seguinte, a notícia de que Yashida sucumbiu ao câncer. Logan segue para o funeral e se depara com uma tentativa de seqüestro da filha de Yashida, Mariko (a bela Tao Okamoto) por parte de membros da máfia japonesa Yakuza, repelida por ele, Yukio e o misterioso lutador e arqueiro Harada (Will Yun Lee). Tem início então uma caçada humana – e mutante – que colocará Wolverine em confronto com o próprio pai de Mariko, Shingen (Hiroyuki Sanada), a imprevisível Víbora (Svetlana Khodchenkova) e o temível (mas nem tanto) Samurai de Prata.

O roteiro de Christopher McQuarrie, Scott Frank e Mark Bomback (responsáveis pelas histórias de filmes como Os Suspeitos, Minority Report e Duro de Matar 4.0, respectivamente) tem como guia a primeira minissérie solo do personagem nos quadrinhos, lançada originalmente em 1982. As idas e vindas do roteiro, contudo, não fazem jus à bem amarrada trama do quadrinhista Chris Claremont, responsável também por algumas das mais aclamadas sagas dos X-Men. Víbora e Harada vagam pra lá e pra cá desempenhando funções de forma quase aleatória, aparentemente sem objetivos muito definidos, o que é parcialmente justificado de forma tosca quando a vilã se define como niilista. Ao longo de boa parte do filme, o fator de cura de Logan falha por um motivo que, quando é revelado, soa um tanto sem nexo. E o imponente Samurai de Prata é retratado de uma forma no mínimo desleal ao guerreiro honrado dos quadrinhos. Para completar, apesar da bela fotografia de Ross Emery, as lutas têm uma construção confusa, que parece fora de ordem, com a exceção da eletrizante sequência de ação do lado de fora de um trem bala em movimento.

Entre os pontos positivos do filme está, em primeiro lugar, o próprio Hugh Jackman, que sempre esteve à vontade no papel e aqui se mostra totalmente em casa, retratando inclusive um Wolverine mais desbocado do que nunca – exceto pela breve participação em Primeira Classe. O comprometimento com o personagem é tamanho que Jackman, que também acumula créditos de produtor, foi buscar os conselhos de Dwayne ‘The Rock’ Johnson para alcançar a forma física que almejava para Logan, e chegou a ficar 36 horas sem consumir líquidos antes de filmar, para que os músculos ficassem com a aparência mais “seca” possível. As interações do protagonista com Yukio e Mariko também mostram uma boa química e unidade no elenco central. Com uma interessante reviravolta final que cria curiosidade em relação ao futuro do personagem em termos práticos, Wolverine – Imortal é mais coeso que o primeiro filme solo de Logan, mas ainda não conseguiu reunir a caracterização certeira a uma trama à altura.

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The Wolverine (EUA, 2013). Ação. 20th Century Fox, Marvel Entertainment
Direção: James Mangold
Elenco: Hugh Jackman, Tao Okamoto, Rila Fukushima, Svetlana Khodchenkova

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