CRÍTICA | X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido

Ação
// 21/05/2014

Em meio às polêmicas acusações de abuso de menores, o diretor Bryan Singer retoma o comando das aventuras cinematográficas dos heróis mutantes em uma trama que une os personagens da trilogia original e do prólogo Primeira Classe, aproveitando para dar um jeito nas várias pontas soltas da cronologia da série.

X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido
Por Gabriel Costa
Revigorada por uma nova e inteligente abordagem após tomar rumos incertos, a franquia X-Men chega ao quinto filme, sem contar as duas aventuras solo de Wolverine, sem precisar apelar para reboots – ainda que Dias de Um Futuro Esquecido traga uma nítida proposta de novo começo para os mutantes. Com uma história que se desenvolve “simultaneamente” em 1973 e 2023, o longa funciona tanto como uma sequência para O Confronto Final, de 2006, quanto para Primeira Classe, de 2011. Mas quem costuma ter dores de cabeça com as complicações inerentes ao tema de viagem no tempo não precisa se preocupar: pelo menos aqui, é tudo bem mais simples do que parece.Sem delongas, Singer apresenta o público aos X-Men de uma década no futuro, um time que inclui algumas surpresas agradáveis aos fãs dos quadrinhos entre os rostos familiares de Wolverine (Hugh Jackman), Tempestade (Halle Berry), Kitty Pryde (Ellen Page) e Homem de Gelo (Shawn Ashmore). No mundo distópico de 2023, os robôs Sentinelas não caçam apenas mutantes, mas também qualquer humano que traga genes que possam vir a gerar descendentes Homo Superior, e os X-Men não estão apenas perdendo a batalha – eles a perdem constantemente. Diante dos ataques implacáveis e incansáveis dos Sentinelas, a estratégia adotada pela equipe é igualmente engenhosa e desesperada: Kitty, dotada de novos poderes, envia repetidas vezes a consciência dos heróis para seus próprios corpos no passado recente, para que possam evitar as investidas dos assassinos robóticos antes mesmo que elas aconteçam. Os mentores e agora aliados Xavier e Magneto (respectivamente Patrick Stewart e Ian McKellen), contudo, buscam uma solução drástica para a situação: enviar uma consciência décadas no passado para evitar a cadeia de eventos que levou a um salto no desenvolvimento das máquinas criadas pelo cientista Bolivar Trask (Peter Dinklage, de Game Of Thrones). Dessa forma, enquanto a equipe resiste no futuro, Logan, em seu corpo 50 anos mais jovem, sai em busca dos então mais jovens Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender) para frustrar os planos de Mística (Jennifer Lawrence), que, embora bem intencionados, transformarão Trask num mártir.

O primeiro destaque do filme é McAvoy. O Xavier de 1973 é um alcoólatra desiludido que abriu mão dos poderes mentais, e o deleite do ator é evidente ao interpretar essa faceta do personagem. É interessante notar também o contraste relativo à atuação de Fassbender, uma vez que este busca aproximar seus trejeitos aos de McKellen, sua contraparte futura, enquanto o próprio Xavier não poderia estar mais distante em suas duas encarnações, com direito até a sotaque britânico em apenas uma delas. Jackman, por sua vez, apresenta uma interpretação menos carregada, e por isso mesmo bem mais agradável, já que não precisa lidar com os conflitos emocionais de Wolverine, pra variar um pouco. Ao longo da maior parte do tempo de exibição, o foco do filme é no passado, o que misericordiosamente limita a Tempestade de Berry a duas ou três falas, mais que suficiente.

A ação em Dias de Um Futuro Esquecido faz jus ao caráter de filme de super-heróis, e retrata como nunca antes o uso dos poderes mutantes dos personagens. O melhor momento do longa fica a cargo de Peter Maximoff (Evan Peters, da série American Horror Story), em uma cena de supervelocidade que provavelmente vai fazer a DC Comics ter uma crise de inveja por ainda não ter feito algo semelhante com o Flash. As habilidades de teletransporte de Blink (Bingbing Fan) também são utilizadas de forma memorável, e a Mística de Jennifer Lawrence é igualmente digna de destaque, tanto nas cenas de ação quanto na própria caracterização e profundidade da personagem.

A mais sólida transposição dos X-Men para a tela grande peca apenas na falta de equilíbrio entre o cuidado dedicado de forma geral ao desenvolvimento da história no passado e a abordagem mais superficial do que acontece no futuro, onde os únicos momentos memoráveis são mesmo as ótimas sequências de ação. E, ainda que Stewart e McKellen sejam atores inquestionavelmente competentes, o carisma de McAvoy e Fassbender gera uma empatia com Xavier e Magneto que aparentemente já os tornou os “titulares” para os personagens, como comprova a escalação prévia de ambos para X-Men: Apocalypse. Resta saber que jogada mirabolante tornará isso possível, mas, diante da plataforma aqui estabelecida, as expectativas são as melhores possíveis.

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X-Men: Days of Future Past (EUA, 2014). Ação/Aventura. 20th Century Fox
Direção: Bryan Singer
Elenco: Hugh Jackman, James McAvoy, Michael Fassbender, Patrick Stewart, Ian McKellen, Jennifer Lawrence

 

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