CRÍTICA: X-Men Origens: Wolverine

Ação
// 28/04/2009

A chegada do mais novo filme da saga dos mutantes inaugura uma nova safra de blockbusters em Hollywood. O lançamento faz jus ao hype? Leia a crítica na íntegra para descobrir.

Observação: É importante ressaltar que não sou fã da saga e tampouco acompanhei a trajetória dos quadrinhos. O texto está embasado no meu conhecimento sobre cinema e em relação aos filmes anteriores.

X-Men Origens: Wolverine
Por Henrique Chirichella

Ao nos depararmos com a significação do verbete hipérbole verificamos a definição de uma figura de linguagem, utilizada a fim de exagerar intencionalmente ou acentuar dramaticamente o que se quer transmitir. Obviamente, a política dos blockbusters, a qual se implantou em Hollywood há décadas, valoriza o exagero, seja ele técnico ou dramático. X-Men Origens: Wolverine, que estreia com 520 cópias nesta quinta-feira em todo o território nacional, segue veemente a regra.

Adaptado dos quadrinhos da Marvel pelos roteiristas David Benioff e Skip Woods, a trama se foca na temática da vingança e da intransigência. Acompanhamos o revelar do passado do mutante Wolverine – ou Logan – envolto por violência e relacionamentos conturbados com variados personagens, até culminar no desfecho de seu romance. Logan compromete-se, então, em um misterioso projeto que alteraria suas condições físicas. Lamentavelmente, o que pode soar promissor e instigante torna-se alvo de ações dramáticas esdrúxulas devido à inconstância do desenrolar da trama: assim como a trajetória de Logan, o roteiro é dotado de aclives e declives, atingindo o ápice da mediocridade ao seu término.

Certamente, a quantidade exacerbada de efeitos visuais e sequências de ação parecem transpor o drama em tela. Dirigido por Gavin Hood – vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro por Infância Roubada -, a produção padece ao tentar se sustentar por explosões, tiros, golpes. De fato, temos unidades de ação bastante perspicazes e impressionantes, mas que podem até provocar o riso involuntário do espectador devido ao hiperbolismo. O tradicional uso da câmera lenta em excesso, que a princípio é responsável por certa dramatização, provoca constrangimentos, enquanto planos envolvendo o personagem principal se desvencilhando de fumaça e fogo soam clichês e até bregas. As coreografias das lutas, entretanto, são bem ensaiadas e podem até se revelar como ponto alto do filme, porém não sustenta.

Se há algo bastante exagerado, também, esta é a atuação de Hugh Jackman. Seus maneirismos transpostos a gritos, berros e piadinhas não convencem e parecem não provocar sentimentos correspondentes ao espectador. Liev Schreiber, por sua vez, sucede e alcança o êxito ao interpretar Victor Creed, o mutante Dentes-de-Sabre, já que sua performance é contida e transmite exatamente o que é exigido: tensão. Outros atores surgem e logo desaparecem, assim como alguns personagens que estão ali apenas como meros figurantes.

Aliás, a produção sofre, exatamente, do mesmo problema do terceiro volume da saga, X-Men: O Confronto Final. Curiosamente, Bryan Singer, diretor dos dois primeiros episódios, desenvolvia o psicológico de inúmeros personagens e figuras de forma competente, independentemente do tempo em tela. Assim como no anterior, dirigido por Brett Ratner, X-Men Origens: Wolverine falha no desenvolvimento do comportamento de cada indivíduo em cena. É claro que o foco converge-se para Wolverine, entretanto é lamentável verificar a ausência de motivações em outras figuras tão interessantes quanto o personagem título. Além, Bryan Singer aparenta fazer uma falta ainda maior quando a tão polêmica e estimulante relação política entre humanos e mutantes é abolida vorazmente. Neste longa, politicamente, ela inexiste e é encarada com naturalidade.

É triste o rumo que a franquia aparenta estar tomando. A saga se destacava por apresentar um discurso controverso e sem exageros, oferecendo algo a mais do que puro entretenimento e conferindo um ar único, resultando em um destaque perante os demais filmes do gênero.  Em X-Men Origens: Wolverine, enquanto a vertente dramática é tratada da forma mais superficial possível, a cultura hollywoodiana do excesso intencional impera, com o intuito de atrair público. Cabe a nós, espectadores, consumirmos ou negarmos este culto que aparenta não encontrar fronteiras.

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X-Men Origins: Wolverine (EUA, 2009). Ação. 20th Century Fox.
Direção: Gavin Hood.
Elenco: Hugh Jackman, Liev Schreiber, Danny Huston, Ryan Reynolds.

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