CRÍTICA: X-Men – Primeira Classe

Ação
// 02/06/2011

Superando expectativas, X-Men: Primeira Classe renova todo o espírito da franquia e traz aos cinemas todo o conjunto de conflitos que estavam lá nos dois primeiros filmes, mas que foram se perdendo aos poucos. E o faz com sabedoria e de bom gosto aos encaixes com as sequências de ação. O melhor blockbuster do primeiro semestre.

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X-Men: Primeira Classe
por Arthur Melo

A chegada de X-Men Origens: Wolverine parecia ser o decreto do fim da franquia X-Men nos cinemas. A produção sofrera todos os tipos de empurrões para baixo, desde o vazamento do longa em fase de pós-produção até as duras críticas e o baixo retorno em bilheterias. Para resgatar os mutantes da Marvel com a mesma força de antes, restava à Fox permitir que o rigor empregado pelo diretor Bryan Singer nos dois primeiros filmes tivesse espaço em uma tentativa posterior. Por sorte, é o que se vê agora em X-Men: Primeira Classe.

Com Singer assinando apenas como produtor, Primeira Classe é um bom exemplo de como um filme pode ganhar em qualidade quando o estúdio responsável resolve soltar um pouco as rédeas em cima do controle criativo. Um desapego que pode guiar o produto por um caminho favorável, se entregue em mãos competentes. Algo que, convenhamos, a Fox se limita a não fazer tanto quanto deveria. Eis aqui a prova do quão errada tem sido na realização de alguns de seus maiores lançamentos.

Comandado dessa vez por Matthew Vaughn (que deveria ter assumido desde X-Men: O Confronto Final, mas desistiu justamente por conta de problemas como o citado no parágrafo acima), o longa narra a formação do primeiro time de mutantes, liderados pelos ainda jovens Charles Xavier (James McAvoy) e Erik Lehnsherr, o Magneto (Michael Fassbender) – até então amigos –, sua revelação para o mundo e posterior bifurcação do grupo. Com uma evolução firme, a história desenvolve por igual e em paralelo os dois polos que guiam a trama (Charles e Erik) à medida que os vai convergindo para o centro de ação construído pelo vilão da vez, o também mutante Shaw (Kevin Bacon).

Neste princípio de carreira, o que torna os jovens X-men instáveis é mais do que o receio por serem descobertos, é também o descontrole sobre os seus poderes e a crise com os próprios valores sociais, ambos os impedindo de se aceitarem como são. Forma-se, assim, um ninho de perturbações que cria uma vulnerabilidade maior do que a vista nos longas anteriores, quando os jovens já estavam mais desenvoltos. Para tal carga de descontrole ser validada, os roteiristas Ashley Miller e Zack Stentz optam por jogar os heróis como carne fresca primeiramente em suas relações, não em campo de batalha (calma, há ação suficiente). O tipo de troca existente entre os indivíduos do grupo principal garante uma boa fluência entre os personagens, o que permite uma avaliação clara e certeira de cada um. A dinâmica é tão coerente que chegamos a um ponto em que determinadas vezes é possível não só entender, como até aceitar algumas tomadas de atitude questionáveis, por mais que a boa moral imponha o contrário.

Com um território aberto para relações pessoais, há espaço de sobra para apontar a acertada decisão de acolher McAvoy e Fassbender como os protagonistas de Primeira Classe. Apesar de ambos estarem distantes das versões de Patrick Stewart e Ian McKellen, respectivamente, para os mesmos personagens, entregam edições bem encaixadas com a proposta do filme e com os elementos que o roteiro dispõe. O mesmo pode se dizer de Jennifer Lawrence como Raven, ou Mística, cujo caráter da personagem se torna facilmente manipulável pela atriz para atender ao que é cobrado pela história a ponto de invalidar temporariamente tudo o que já é sabido sobre a mutante.

As boas sequências de ação também colaboram para uma impressão positiva. Mesmo com alguns deslizes dos efeitos visuais nas cenas de voo do mutante Banshee, a qualidade da computação gráfica é admirável em médias e grandes execuções. A exemplo estão a ira do garoto Erik (aliás, brilhante reconstrução da abertura de X-Men, de 2000) no primeiro ato e a destruição do navio ocupado por Shaw. O saldo é um composto que ganha pontos mais pela habilidade da direção de Vaughn para idealizar um plano de sequências do que pela técnica em si – que é muito boa. Para a criação do visual, Primeira Classe acerta em um detalhe no qual tantas produções do gênero falharam: a mesclagem do que está datado com o conjunto de aparatos tecnológicos. Tanto isoladamente quanto em união destes aspectos, a Direção de Arte é brilhante; realmente brilhante. O desenho e realização dos cenários sessentistas – principalmente os que asilam o vilão Shaw – são de um deslumbre ímpar. Sua montagem ao lado do arrojado e moderno não destoa graças ao excelente emprego de cada elemento, seja na composição de um todo, seja no uso em destaque. Um aspecto que de fato ajuda a contar e pontuar a história.

X-Men: Primeira Classe é, de todos os modos, uma boa surpresa (recheada de uma ou outra para os que acompanharam a série, diga-se de passagem – após verem o filme saberão exatamente a que me refiro). É um grato momento no cinema que destrói toda uma conotação pessimista que algumas imagens e pôsteres poderiam vir a trazer e que renova a saga dos mutantes a um nível que Wolverine e sua habilidade regenerativa não foram capazes de fazer com X-Men Origens.

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X-Men: First Class (EUA, 2011). Ação. 20th Century Fox
Direção: Matthew Vaughn
Elenco: James McAvoy, Kevin Bacon, Jennifer Lawrence, Michael Fassbender
Especial com trailer, fotos, imagens e detalhes de toda a série

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