CRÍTICA: Zona Verde

Ação
// 15/04/2010

Muita gente nem deve imaginar, mas Zona Verde, longa de ação com Matt Damon que estreia amanhã também é uma adaptação. Baseado no livro “Imperial Life in the Emerald City: Inside Iraq`s Green Zone”, o filme retrata com com apuro as consequências da ocupação americana no Iraque. Leia a crítica clicando em “Ver Completo”!

Zona Verde
por Débora Silvestre

Zona Verde, o novo campo de batalha de Matt “He-Man” Damon, nos remete a um jogo de xadrez. Muitas estratégias, blefes, peças importantes e peões não tão importantes assim, e tudo isso simplesmente para ganhar o jogo. No filme, o que se quer ganhar (ou manter) é a credibilidade de que existem armas químicas no Iraque.

O filme é ainda irônico: enquanto o mundo assiste as brincadeirinhas de testes nucleares da Coréia do Norte e do Irã, o longa retrata um subtenente cansado de fazer buscas nucleares em fábricas de vasos sanitários e em pracinhas, lugares que, obviamente, não poderiam existir fabricação ou armazenamento de armas de destruição em massa. Assim, entre um tiroteio e outro, o espectador pode pensar até onde a suposta guerra ao terror iniciada pela administração Bush e tão abraçada pelo mundo não se refere na verdade ao domínio de regiões miseráveis, de anarquia nas ruas e soldados que nem mesmo sabem o que fazem ali. Mais uma vez podemos ver o xadrez aqui presente: diversas jogadas são feitas até que se revele a verdadeira intenção: o domínio e a destruição do outro.

Cansado dessa situação, Roy Miller (Matt Damon) sai em de um rei – assim como no xadrez – extremamente subjetivo em relação à verdade sobre tudo aquilo e, coincidência ou interferência dos deuses, ele encontra um mero peão – um nativo – que desencadeará toda a trama do filme, seja influenciando em sequências de ação como clareando de que maneira o mundo inteiro pode ser enganado por informações não verificadas sobre algo que alguém declarou.

Tal não é gratuito. O diretor Paul Greengrass (O Ultimato Bourne, A Supremacia Bourne, Domingo Sangrento) iniciou sua carreira cobrindo conflitos globais para o canal inglês ITV, e vem daí o pano de fundo tão real e críticas tão vorazes ao conflito que ainda é muito presente. Dessa maneira, a qualidade do filme é garantida; tanto pela atuação do já “quase militar” Matt Damon, quanto pela direção e os demais segmentos, que procuraram retratar tudo com muita firmeza e paridade das bases militares existentes. Munido de tamanho realismo, fica difícil saber até onde é um thriller que se passa no Iraque de um sobre a guerra no Iraque.

E, assim como pode acontecer no xadrez, a solução de uma das batalhas vem de uma peça sem muita importância, mas o cerne da questão se mantém: quem de fato dominará aquela região ou aquele rei? Além de um excelente longa de ação com muitos elementos de guerra de verdade, fica o questionamento sobre a questão da guerra ao terror. No mais, não vai muito além do que Matt Damon sabe fazer com os pés nas costas.


Green Zone (EUA, 2010). Ação. Universal Pictures.
Direção: Paul Greengrass
Elenco: Matt Damon, Jason Isaacs, Brendan Gleeson, Greg Kinnear.

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