E Agora, Aonde Vamos? | Leia a entrevista cedida ao Pipoca Combo pela diretora Nadine Labaki

Comédia
// 16/11/2012
Com um país arrasado pela guerra como pano de fundo, E Agora, Aonde Vamos? conta a emocionante história sobre a determinação de um grupo de mulheres, que tentam proteger a todo custo sua comunidade isolada e cercada de minas das forças externas difusas e desagregadoras. Unidas por uma causa em comum, a amizade inabalável das mulheres transcende a divisão religiosa de sua sociedade, apesar de todos os pesares, elas criam planos extraordinariamente inventivos, e muitas vezes até cômicos, para distrair os homens da vila e dissipar qualquer sinal de tensão inter-religiosa. Uma série de incidentes caóticos testam a ingenuidade das mulheres, enquanto elas conseguem, com ousadia, repelir os efeitos colaterais da guerra longínqua. Mas, quando os acontecimentos tomam um rumo trágico, até onde elas estão dispostas a ir para evitar uma comoção e um banho de sangue?
Clicando em “Ver Completo, você confere uma entrevista feita pela diretora Nadine Labaki e cedida ao Pipoca Combo. Nela, Labaki conta um pouco como foram feitas algumas escolhas da produção técnica-artística do longa, pincelando como foi montada o conjunto de arte e figurino.
E Agora, Aonde Vamos? estreou ontem no Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, São Paulo e Porto Alegre. Assista o trailer após a entrevista.

A escolha do figurino deve ter sido um exercício complicado, já que você tinha que caracterizar cada comunidade sem fazer uma caricatura.
Em busca da autenticidade, minha irmã Caroline, que é a figurinista, fez uma pesquisa grande. Foi mais difícil ainda porque eu não queria situar a história numa determinada época. E nós tínhamos que dar vida a toda uma vila. As paredes do escritório onde trabalhávamos estavam repletas de fotos dos atores com seus figurinos, organizadas por palhetas de cores, de acordo com o papel, com as categorias, idades, ordem de importância no filme etc. Era um verdadeiro quebra-cabeças. Alguns dias antes de começarem as filmagens, não havia um único pedaço da parede que não estivesse coberto.

Vocês só usaram cenários reais?
Nós filmamos em três vilas diferentes: Taybeh, Douma e Mechmech. A primeira, localizada no Vale do Beqaa, é mesmo uma vila cristã e muçulmana, onde a mesquita fica ao lado da igreja, exatamente como na história. Quanto às locações, mais uma vez, eu quis me manter o mais fiel à realidade possível. Junto com Cynthia Zahar, nós trabalhamos muito quanto aos materiais: a textura das paredes, da madeira, dos tecidos. Você tem que sentir a passagem do tempo, a pobreza, o isolamento. A vila do filme foi atravessada por uma guerra e encontrava-se ela mesma isolada do mundo exterior, sem TV ou telefone, ligada ao resto do país por uma ponte salpicada por minas e destruída por estilhaços de bombas.

De onde veio o título do filme?
Da última fala do filme. Quando você pensa que elas conseguiram alguma coisa, que resolveram a situação, que encontraram uma solução, de repente, tudo parece desmoronar de novo. As mulheres da vila inventaram um último estratagema para fazer os homens entenderem que a guerra é absurda. Elas têm sucesso, mas, o que vai acontecer depois? “E agora, aonde vamos?” Eu não tenho uma resposta para isso.

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