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Críticas
// 30/12/2016
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Imagine o seguinte: você é rico, bem-sucedido na sua carreira, verdadeira referência no que faz. E aí, do nada, chegando nos seus 50 anos, decide que vai escrever, produzir e dirigir um filme, sem nenhuma experiência prévia no assunto. Obviamente, seus amigos dizem que você é louco e o fiasco é antevisto por todo o mundo. Só que – surpresa! –  não é isso que ocorre. Seu filme é aclamado pela crítica, concorre a vários prêmios e você vira o novo queridinho de Hollywood.

Essa história aí de cima é uma brevíssima biografia de Tom Ford, estilista americano de sucesso nos anos 90/2000 que, em 2009, escreveu, produziu e dirigiu Direito de Amar, seu primeiro filme, estrelado por Colin Firth e Julianne Moore. Colin concorreu ao Oscar e ao Globo de Ouro por sua atuação e Ford surpreendeu a todos ao mostrar em seu filme de estreia uma direção segura e um estilo próprio.

Se fazer sucesso na estreia não é fácil, mandar bem no segundo trabalho é um desafio ainda maior. E assim o é no segundo álbum, livro ou filme, afinal, não dá pra saber se a pessoa tem algo mais a mostrar ou se já esgotou sua dose de talento. É com Animais Noturnos que Tom Ford se apresenta para o teste, para ser aprovado com louvor.

Novamente como produtor, roteirista e diretor, Ford faz um filme de estrutura complexa, muitíssimo bem amarrado nas três histórias que se entrelaçam, cada uma com um tom diferente. O roteiro é redondo e o apuro visual é nítido, repetindo a beleza das cenas de Direito de Amar.

O sucesso se repete no elenco. Amy Adams e Jake Gyllenhaal estão, ainda que separadamente, em quase 100% das cenas e, além de terem a beleza muito bem explorada por Ford, entregam ótimas atuações. Aaron Taylor-Johnson e Michael Shannon não ficam atrás e contribuem bastante para o filme ser um belo acerto, desde sua provocativa abertura até o final, sem nunca deixar a atenção do espectador vagar pra fora da tela.

Com todos esses ingredientes, Animais Noturnos prova que o produtor/roteirista/diretor Tom Ford veio pra ficar. Resta torcer para que o estilista troque a moda pelo cinema com mais frequência.

 

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