Indiespensável | Julieta

Críticas
// 31/07/2016
julieta

Um novo filme de Almodóvar é sempre um acontecimento para os cinéfilos de plantão. A ponto de suas obras, quando em cartaz, serem costumeiramente renomeadas para “o último do Almodóvar”, como se importasse mais sua autoria do que o conteúdo. No universo mais pop, esse fenômeno também pode ser sentido, por exemplo, com Tarantino e Woody Allen, certamente porque é fácil identificar nos três casos uma assinatura bem típica do diretor.

Especificamente no caso de Almodóvar, há quase uma dupla personalidade: o espanhol alterna entre dramalhão – como os ótimos Tudo Sobre Minha Mãe e A Pele que Habito – e nonsense histérico, como seu mais recente (e esquecível) Os Amantes Passageiros.

Então, qual é a cara do último do Almodóvar? Julieta é uma dose de 100 minutos de melancolia. A história, que alterna entre presente e flashback, é constantemente triste, mesmo nos momentos de alegria dos personagens. Contribui para isso uma trilha sonora pesada, quase tensa, que parece dizer o tempo todo para o espectador: algo de ruim vai acontecer. Com isso, o filme segura a atenção. Mas cansa em alguns momentos na espera de um clímax que que quando chega não consegue impactar porque é incompleto.

Ainda assim, é uma obra elegante, bonita de se ver. Emma Suarez se sai muito bem como a Julieta mais madura e sofrida, enquanto Adriana Ugarte impressiona mais pela beleza de sua jovem Julieta. Daniel Grao convence como o pescador bonitão e Rossy de Palma é responsável pelos pontuais sorrisos da plateia.

Ao final, embora Julieta não alcance o nível dos melhores filmes do diretor espanhol, o redime do equivocado filme anterior e confirma a tese de que sempre vale a pena conferir o “último do Almodóvar”.


Julieta (Espanha, 2016). Drama. Universal Pictures.
Direção: Pedro ALmodóvar
Elenco: Adriana Ugarte, Rossy de Palma, Inma Cuesta
Status: em exibição.

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Críticas, Drama