Indispensável | Ela é tão Black Mirror!

Artigos
// 09/03/2017
ela

Depois que a série de TV britânica Black Mirror caiu no gosto popular, muito vem se falando sobre a relação cada vez mais intensa e dependente do ser humano com a tecnologia. Parece que a série da Netflix fez com que nos déssemos conta desse estranho caminho que estamos trilhando, onde o real perde espaço para o virtual e a desconexão com o que acontece à nossa volta aumenta na mesma proporção que nos tornamos mais conectados com os inúmeros espelhos negros que nos rodeiam: nossos smartphones, tablets e afins.

O cinema já havia abordado em diversas situações essa relação do homem com a tecnologia, como em Blade Runner, O Exterminador do Futuro e Matrix. Acontece que essa relação costuma ser retratada a partir de um conflito e não de uma forma corriqueira, onde o convívio homem/máquina seria pacífico.

E é aí que Ela chegou para fazer a diferença. No filme escrito e dirigido por Spike Jonze em 2013, não há disputa entre o humano e o tecnológico. Pelo contrário, Theodore (Joaquim Phoenix) se apaixona (de forma correspondida!) por um sistema operacional, Samantha (Scarlet Johansson). Isso é tão Black Mirror!

Partindo dessa ideia, Jonze desenvolve uma verdadeira obra-prima. Sem exageros, Ela alcança a excelência para qualquer lado que você olhe. O roteiro, ganhador do Oscar, do Globo de Ouro e do Critic’s Choice de 2014, é um poço de originalidade, sendo ao mesmo tempo inovador e absolutamente crível. Joaquim Phoenix equilibra com perfeição melancolia, emoção, amor e alegria. Scarlet Johansson prova que não precisa se valer de sua beleza para seduzir, bastando sua voz para magnetizar a atenção de Theodore e do espectador. Há, ainda, o luxo de se ter Amy Adams e Olivia Wilde como coadjuvantes, além de Chris Pratt em sua fase pré-galã.

A parte técnica: fotografia, figurino e luz merecem um registro à parte. Ao criar um futuro em tempo e lugar não especificados, Ela escapa do risco de se tornar caricato e apresenta imagens lindas de uma época, que pode ser amanhã ou daqui a cinquenta anos, e de um lugar, que pode ser China ou São Paulo.

Os diálogos e a trilha sonora: as reflexões sobre vida e relacionamento são embaladas por belas músicas, numa inspiradíssima trilha feita pela banca Arcade Fire.

O sexo: sem dúvida uma das melhores cenas de sexo do cinema, a transa de Theodore e Samantha é erótica, romântica, intensa, apaixonada, urgente, tudoaomesmotempoagora. E isso sem nada mostrar. Um primor.

Se você gosta do tema abordado por Black Mirror – eu, particularmente, acho a ideia de BM mais interessante do que a série em si –, vai encontrar em Ela o produto final perfeito. Um filme absolutamente necessário e inesquecível.

Comentários via Facebook
Categorias
Artigos