Liga da Justiça e DC Comics | O que seria legal ver nos próximos filmes da Warner?

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// 02/06/2017
liga da justiça

O quarto filme do Universo Estendido da DC Comics já está nos cinemas, mas ainda tem muita coisa para sair ainda. Só de filmes anunciados são mais de dez, sendo que dois deles já estão em andamento, um na sua pós-produção e outro sendo gravado. Apesar de alguns tropeços, o universo que vem sendo criado é, no mínimo, conciso e dá margem para ser expandido cada vez mais, seja no futuro ou no passado. Nesse texto, vamos analisar um pouco o que podemos esperar de cada filme, individualmente e coletivamente dentro do universo.

Liga da Justiça, que já terminou suas filmagens e está em fase de pós-produção, deve focar a história nas caixas maternas, apresentada rapidamente em Batman v Superman: A Origem da Justiça na cena da criação do Ciborgue (Ray Fisher), e na reunião dos heróis para enfrentar os perigos trazidos pela chegada do Lobo da Estepe (Ciarán Hinds) ao planeta, introduzindo a ameaça de Darkseid ao Universo Estendido da DC nos cinemas. Esperamos também o retorno de Henry Cavill e seu Kal-El, ressuscitado após ser morto na batalha final de Batman v Superman. O filme deve servir de base para introduzir os heróis ao público, dando um pouco mais de detalhes sobre o trio que ainda não foi mostrado efetivamente em tela.

Aquaman já foi mostrado brevemente em um teaser durante Batman v Superman, mas para aqueles que não conhecem o personagem dos quadrinhos, ou conhecem a versão boba do personagem, graças às animações dos anos 70, é necessário que haja uma introdução digna do herói ao universo cinematográfico. Dirigido por James Wan, um especialista em criar atmosferas de terror e suspense, o longa está sendo filmado na Austrália e deverá mostrar as origens de Arthur Curry (Jason Momoa) e seu relacionamento com Mera (Amber Heard), tentando viver sem se encaixar completamente como humano e nem como atlante. Os dois vilões mais famosos do Rei de Atlântida, Arraia Negra (Yahya Abdul-Mateen II) e Mestre do Oceano (Patrick Wilson), estarão no filme e, provavelmente, se unirão para tentar combater o herói, como já aconteceu em outras ocasiões nos quadrinhos e em animações.

aquaman

Após Aquaman, o que temos ainda é muito na base da especulação. Alguns filmes ainda estão sendo estudados, outros têm algum avanço, um roteiro, um ator ou diretor confirmados, mas nada de muito concreto para que possamos dizer com segurança como será. Então, por que não especular também?

The Flash, filme solo do velocista interpretado por Ezra Miller, chegaria aos cinemas no início de 2018, mas vem sofrendo com adiamentos, desistências e trocas de diretores e roteiristas. O último diretor, Rick Famuyiwa (Dope), saiu em outubro de 2016 por diferenças criativas com o estúdio. Recentemente, a Entertainment Weekly reportou que Billy Crudup (Watchmen), que viveria o pai do herói, Henry Allen, não estaria mais no filme, o que ainda não é algo confirmado por ele ou pela Warner. Lembrando que o ator estaria em uma cena em Liga da Justiça, caso seja confirmada a saída dele, essa será uma das partes que precisará de refilmagem.

the flash

Quanto ao filme em si, o herói tem uma galeria de vilões enorme e muito diversa, o que não seria problema para quem assumisse o filme. Nossas apostas é que a Warner não irá arriscar e para isso usará um dos vilões mais conhecidos do herói, seja o Capitão Frio, o Gorila Grodd ou o Flash-Reverso. Dos três, o Capitão Frio talvez seja o mais interessante para se ver em ação, fugiria um pouco do caminho da série de TV (que teve o Flash-Reverso como vilão na primeira temporada) e poderia começar explorando um vilão fácil, mas ao mesmo tempo complexo e interessante, para não correr riscos. Obviamente que o Flash-Reverso é o maior vilão do velocista escarlate, já que ele é o motivo pelo qual Barry Allen perdeu sua mãe, mas dar o pontapé ao herói nas telonas com um vilão tão complexo e cheio de detalhes seria um grande risco. É mais fácil começar dando amostras do que ele terá que lidar no futuro, fazer um primeiro filme bom e que agrade o público e voltar com uma sequência ainda melhor.

Ciborgue é um dos heróis dessa equipe da Liga da Justiça que poderá se tornar a maior dificuldade para a Warner tirar do papel. O herói tem uma origem um tanto quanto simples e não possui uma galeria de vilões “importantes” para ser explorada. Mas o fato de ter sua data de estreia marcada para 2020 dá a chance de encontrar um bom jeito de explorá-lo, utilizando-o em outros filmes do Universo DC para ser um coadjuvante interessante e então ganhar um filme solo. Uma das possibilidades que se abrem para esse filme é a chance de criar um vilão inédito, com motivações próprias e recentes, já que o tema do ciberterrorismo está bem em voga, ou então pegar algum vilão desconhecido dos quadrinhos e retrabalhar para ganhar um novo alcance.

Previsto também para 2020, o longa do Lanterna Verde já viria com uma bagagem não muito agradável. Após o fiasco do filme de 2011 estrelado por Ryan Reynolds, a Warner sabe que a tarefa para não repetir o desastre é difícil. Mas há (muito) espaço para explorar o personagem, com o perdão do trocadilho. Até o momento, há poucas informações sobre o filme, mas sabemos que David S. Goyer (O Homem de Aço) está relacionado como roteirista e há boatos de que ele assumirá a direção. Com relação à história, o que foi dito é que o estúdio gostaria que fosse um “Máquina Mortífera no espaço”, ou seja, uma dupla de policiais galácticos, um novato (John Stewart) e um veterano, com alguns anos de batalha (Hal Jordan), investigando e protegendo o quadrante da Terra das ameaças alienígenas. A história desse filme poderia estar diretamente relacionada com o filme da Liga da Justiça e com a sua sequência, já que o tema central da Liga é justamente uma invasão alienígena à Terra e a promessa de uma invasão ainda maior feita por Darkseid no futuro. Quanto aos vilões que poderiam aparecer no filme, temos um arco-íris de opções: Sinestro, Atrocitus, Parallax, Nekron, Safira Estrela, entre outros, cada um teria diversos pontos positivos para serem abordados e são ótimos vilões para um possível “Máquina Mortífera no espaço”, que por si só, já é algo interessante para se basear.

Já o filme do Shazam e do Adão Negro é um caso a parte. Dwayne Johnson é hoje um dos atores mais rentáveis de Hollywood e dono de um carisma inigualável. As conversas com a Warner para viver esse personagem começaram em 2008, segundo boatos, mas foi só em 2014 que o estúdio definiu que The Rock seria o vilão Adão Negro, antes mesmo de iniciar a divulgação de Batman v Superman: A Origem da Justiça, antes mesmo de ter definido as datas dos seus futuros filmes. O plano inicial era criar um filme do Shazam trazendo Adão como vilão, mas utilizar uma estrela do porte de Dwayne Johnson como um mero coadjuvante pareceu sem sentido para os executivos da Warner (e para os fãs do ator e do personagem). Então, recentemente, o ator divulgou que um filme próprio do Adão Negro será feito, antecedendo o filme do antigo Capitão Marvel.

A estratégia faz sentido e parece correta. O Adão Negro é um vilão, mas também é considerado um anti-herói para diversos fãs. Sua criação está diretamente ligada à criação do Capitão Marvel, com poderes similares, mas motivações totalmente diferentes. Em sua origem mais recente, escrita por Geoff Johns (coincidentemente, o mesmo comandando os filmes baseados nos heróis da DC), Adão Negro é ressuscitado após mais de dois mil anos adormecido e parte em busca de Shazam, que habita o corpo do adolescente Billy Batson, para roubar os seus poderes. Um filme solo do Adão Negro poderia explorar a sua origem no Egito Antigo e como ele se tornou esse personagem traumatizado e com um senso de moral distorcido, dando espaço para que ele seja desenvolvido livremente, sem que haja necessidade de conectá-lo ao Shazam. Assim, num filme solo do herói, o Adão já estaria apresentado para o grande público e poderia ser explorado como um vilão ou anti-herói.

Antes de entrar no universo do Homem-Morcego, precisamos comentar sobre o filme da Liga da Justiça Sombria, que vem sendo cogitado há anos. Guillermo Del Toro já planejava um filme da equipe desde 2014, criou até mesmo um roteiro e entregou para a Warner, que gostou da ideia, mas por motivos de agenda e enrolação da mesma, o diretor acabou assumindo novos compromissos e seu roteiro acabou sendo descartado. Mas a ideia da Liga da Justiça sobrenatural ainda vive. O diretor Doug Liman estava no comando do projeto até a uma semana atrás, quando optou pela sua saída por motivos de agenda. A Warner já está atrás de um diretor e o nome de Andy Muschietti (Mama e o novo It – Uma Obra Prima do Medo) é um dos mais ventilados. O filme deverá contar a história do lado sobrenatural da DC Comics, apresentando personagens como John Constantine (já conhecido do público graças ao filme estrelado por Keanu Reeves em 2005 e pela série com Matt Ryan em 2015), Zatanna, Deadman, Monstro do Pântano e o demônio Etrigan, entre outros vários personagens que podem aparecer. Cada personagem traz um rol de inimigos únicos e muito interessantes para serem usados no longa, facilitando a vida de quem estiver responsável pelo roteiro. O desafio é conseguir apresentar corretamente todos os membros da equipe em um único filme sem que isso interfira no desenvolvimento deles e da trama.

A variedade de personagens icônicos que habitam a cidade de Gotham e suas redondezas não se compara a nenhuma outra. Só para o Universo Expandido da DC nos cinemas já foram apresentados quatro personagens (Coringa, Arlequina, Pistoleiro e Crocodilo), sem contar o próprio Batman, seu mordomo Alfred Pennyworth e no filme da Liga da Justiça teremos o Comissário Jim Gordon (J.K. Simmons). Mas o futuro ainda reserva muitos amigos e inimigos para o Homem-Morcego nas telonas. Nos próximos anos, as histórias da Batgirl, do Asa Noturna, das sereias de Gotham (Mulher-Gato, Hera Venenosa e a já apresentada Arlequina) e do próprio Batman chegarão aos cinemas. Vamos analisar cada um individualmente, já que história é o que não falta nesse pedaço da DC.

O conturbado filme solo do Batman finalmente será feito, dessa vez pelas mãos de Matt Reeves. Na época que Ben Affleck estava como diretor, um roteiro criado por ele em parceria com Geoff Johns trazia o Exterminador/Slade Wilson como o principal vilão do filme, na época Joe Manganiello foi contratado para viver o personagem, mas com a mudança de comando e o roteiro voltando à estaca zero, não sabemos se Manganiello permanece no filme. Quanto ao que podemos esperar, as expectativas são altas. O diretor Matt Reeves tem uma ótima bagagem, dirigiu Cloverfield em 2008, fez o maravilhoso Planeta dos Macacos: O Confronto e está finalizando Planeta dos Macacos: A Guerra, que vem recebendo elogios e mais elogios daqueles que já conseguiram vê-lo. Só isso já seria suficiente, mas o Batman de Ben Affleck agradou os fãs, e vilões interessantes não faltam para criar um filme de alto nível.

Se em Batman v Superman: A Origem da Justiça ficamos sabendo que o Robin desse universo foi assassinado pelo Coringa, a confirmação do longa do Asa Noturna talvez seja o que precisávamos pra aparar algumas arestas dessa história e avançar mostrando a vida dos ajudantes do Batman. O Asa Noturna deverá ser o não-tão-jovem Dick Grayson. Após anos de luta ao lado do seu mentor encapuzado, ele resolve partir pra lutar sozinho contra o crime. O personagem foca sua luta contra a máfia, gangues e vilões mais “nível de rua” e por mais que seus inimigos sejam da mesma turma do Batman, existem alguns nomes interessantes que funcionariam mais para esse filme do que para o filme do morcegão. Se quiserem ir numa pegada mais segura, com um vilão conhecido do público, poderíamos sugerir o Exterminador/Slade Wilson e também o Duas-Caras. Caso a ideia seja algo original, mas mais arriscado, os vilões Paragon, Tony Zucco (o responsável pela morte dos Grayson nos quadrinhos), Arrasa-Quarteirão ou o Raptor. A ideia de colocar Jason Todd/Capuz Vermelho como vilão do filme do Asa Noturna é interessantíssima, mas aí o filme deixaria de ser só sobre o Asa Noturna e precisaria incluir mais gente, deixando o Asa Noturna em segundo plano (e não é o que queremos aqui). Mas se encontrarem um jeito de fazer essa história acontecer, ficaríamos muito agradecidos.

A Arlequina foi, sem dúvidas, a principal estrela de Esquadrão Suicida. E sabendo desse potencial para fazer dinheiro, a Warner se apressou para confirmar um filme solo dela. Quer dizer, não tão solo. A confirmação de que haveria um filme da personagem veio acompanhada da confirmação de que ele será baseado na história Gotham City Sirens (Sereias de Gotham, como ficou em português), uma equipe de vilãs formada pela Arlequina, Mulher-Gato e a Hera Venenosa. O grupo, nos quadrinhos, teve algumas histórias e foi bem aceito pelo público e pela crítica. Adaptar essa trama para os cinemas pode ser mais uma chance de explorar e expandir a mitologia da cidade de Gotham, dessa vez pelo olhar único das vilãs. Nos quadrinhos, o trio se reúne para ajudar umas as outras a derrotar algum vilão que esteja incomodando alguma delas, às vezes até mesmo se unindo a outras mulheres do universo DC, heroínas ou vilãs, como Zatanna ou Talia Al Ghul. O fato é que um filme das Sereias de Gotham daria a oportunidade de criar uma história original, sem que haja a necessidade de uma participação do Batman ou de algum dos seus ajudantes. E também daria a oportunidade para a Warner/DC de colocar o “relacionamento” entre a Arlequina e o Coringa nos trilhos certos (leia-se: explicar que o que eles têm é um relacionamento abusivo e não uma história de amor), inclusive fazendo com que a personagem entenda que o Coringa abusa psicologicamente dela e que ela pode ter uma vida “normal” sem a presença dele. Se encaixarem um romance entre ela e a Hera Venenosa, como aconteceu nos quadrinhos, ficaríamos mais do que satisfeitos.

Para finalizar essa análise, que deixará de lado as sequências de Liga da Justiça, Homem de Aço e Esquadrão Suicida, por motivos óbvios (não temos nenhuma informação sobre eles), precisamos falar sobre o filme da Batgirl dirigido por Joss Whedon. A personagem já passou por maus bocados no passado, mas atualmente vive seus melhores dias, graças a uma repaginada que a DC deu aos quadrinhos da heroína.

Em A Piada Mortal, escrita em 1988 por Alan Moore, Bárbara Gordon é alvo de um ataque do Coringa, que atira nela, deixando-a paraplégica, a fotografa nua e usa essas fotos para torturar seu pai, Jim Gordon, para tentar levá-lo a loucura. A personagem se aposenta da luta contra o crime nas ruas e se torna a hacker Oráculo, personagem que viveria por mais de 20 anos. Mas no reboot de 2011, a DC Comics devolveu o collant roxo para Barbara Gordon e viu as vendas dos seus quadrinhos aumentar exponencialmente, junto com as críticas positivas às novas histórias. Trazendo uma pegada mais jovem para a personagem e explorando uma Bárbara Gordon mais divertida e sem uma carga dramática tão pesada quanto a que viveu durante os anos 90 e 2000, a editora conseguiu criar histórias originais e levar a heroína para longe da sombra do Batman e da cidade de Gotham. Um filme dessa jovem Batgirl dos Novos 52/Renascimento dirigido por Joss Whedon é algo que nem os fãs mais apaixonados poderiam esperar. O diretor, conhecido por Buffy, A Caça Vampiros e, posteriormente, os dois Vingadores, é um dos mais amados diretores/roteiristas de Hollywood e uma escolha certeira para adaptar essa personagem para o Universo Estendido da DC, pelo simples fato de ser capaz de criar histórias que são divertidas e com personagens complexos e interessantes. Usar vilões da galeria do Batman como o Cara de Barro, o Pinguim ou o Espantalho são opções seguras, mas a Warner poderia arriscar um pouco e colocar James Gordon Jr., irmão de Bárbara, um psicopata que tenta matar sua própria família, para rivalizar com a heroína, assim como poderia colocar a vigilante Caçadora como a antagonista da história, dando uma chance para que as Aves de Rapina possam aparecer futuramente no Universo DC.

Com a estreia de Mulher-Maravilha, a DC deixou claro que está no jogo e que, se depender da matéria-prima, o futuro do seu Universo Estendido está garantido. A Warner só precisa arriscar um pouco, dar um bom suporte e liberdade para que seus criativos possam trazer histórias interessantes e divertidas para as telonas.

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