Não há nada de errado em Esquadrão Suicida concorrer ao Oscar

Editorial
// 25/01/2017
esquadrao suicida

Ontem, conforme as indicações ao Oscar 2017 eram anunciadas, o Twitter produzia um entra e sai de trending topics (os assuntos mais falados do momento) em uma velocidade surreal. E apesar das 14 indicações recordistas de La la Land (empatando com Titanic e A Malvada), a hashtag que perdurou até o final do dia foi #EsquadrãoSuicida. O motivo foi bem besta, mas que gerou uma enorme discussão: o longa, amplamente mal recebido pela crítica e bastante rejeitado por parte do público, conseguiu uma indicação à categoria de Melhor Maquiagem e Cabelo. E a internet pifou.

“Como um filme tão ruim quanto Esquadrão Suicida conseguiu ser indicado ao Oscar e o excelente Deadpool, não?”

Primeiro temos que deixar algo meio claro pra qualquer um que esteja muito aéreo e pegou o bonde já perto da estação final: Esquadrão Suicida está indicado a uma categoria técnica, enquanto Deadpool estava promovendo uma campanha para a categoria de Melhor Filme. São terrenos muito, muito diferentes – e distantes. Depois, devemos lembrar que enquanto o longa dos vilões heroicos da DC Comics é uma superprodução bastante cara, com um investimento em tecnologia muito alto, o mutante da Marvel estrelou um filme bem mais tímido, com orçamento super limitado e muito abaixo dos padrões para um blockbuster. Isso significa muita coisa? Nem sempre. Mas ajuda a pontuar.

Outro fator importante é a necessidade de se fazer justiça a quem se deva. Por melhor que Deadpool seja (e realmente é bem bom), isoladamente em seus quesitos técnicos ele nem se destaca e nem apresenta qualidades inovadoras. Enquanto que o Esquadrão, mesmo sob um roteiro bastante problemático, entrega um CGI mais robusto, cenários mais elaborados e uma maquiagem bem generosa; convenhamos! Tudo bem, o filme é ruim. Tudo bem, a gente acabou morrendo de amores por Deadpool, mas o prêmio que estamos falando aqui vai para os profissionais que deram duro para fazerem a sua parte com louvor, e não para o filme em si. Se você tá na sua casa e te chamam para criar todas as próteses faciais para um filme por ser um excelente maquiador em Hollywood e você cumpre o seu papel, você não tem nada a ver se o diretor, roteirista e produtores resolveram usar o seu trabalho em uma história ruim. É justo você ser ignorado por uma premiação que julga exclusivamente o seu trabalho só porque outros membros do projeto maior mandaram mal? É justo dar esse mesmo prêmio a um outro profissional, que não se destacou tanto quanto você, só porque ele participou de um conteúdo melhor, mesmo ele não tendo influencia no resultado geral daquele filme? Acho que não, né?

Não importa se o filme é ruim ou uma obra prima. Se aquela característica isolada da produção tem real valor qualitativo, merece (e deve!) ser reconhecida. Transformers é uma série sofrível, mas que apresenta uma computação gráfica invejável. Assim como A Chegada, indicado a Melhor Filme, é excelente, mas já não tem tanta representação nesse quesito. Antes da estatueta estacionar ao lado do logo do filme nos cartazes, é na mão de alguém que ele paira, e é essa pessoa que precisa desse impulso justamente para seguir sempre participando de maiores e melhores projetos. Mandou bem? Merece seus aplausos. Quem não quer um Oscar no currículo?

E antes que o falatório se sustente pela indicação ao Globo de Ouro de Melhor Filme Comédia/Musical para Deadpool, vamos lembrar que mesmo muito divertido, o filme não tem nenhum aprofundamento necessário para se equiparar aos demais que estão na categoria principal do Oscar. E que o Globo de Ouro já indicou pra essa mesma categoria longas como O Turista, Alice no País das Maravilhas e Se Beber, Não Case, que mesmo vencendo nem deu as caras no Oscar. Não quer dizer muita coisa, não é verdade?

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