CRÍTICA: O Incrível Hulk

Ação
// 14/06/2008

O bom de atores como Edward Norton é que eles são isso mesmo: bons. Mas bons atores, que realmente atuam por prazer e amor a esse maravilhoso mundo do cinema, fazem mais. E ele fez.

O Incrível Hulk
por Breno Ribeiro

Partindo de uma premissa ridiculamente imbecil (um homem que fica grande e verde, o herói perfeito… – é impossível torcer para o Hulk quando ele batalha com o General Blonsky lá para o meio do filme), Edward Norton consegue ao lado de Zak Penn montar uma história boa para O Incrível Hulk. Claro que nada é perfeito e o texto tem suas escorregadas (muitas escorregadas), mas a trama consegue ser boa mesmo assim.

A primeira parte do filme acontece no Brasil, com cenas ambientadas na Favela da Rocinha, Rio de Janeiro. Aqui o texto tem um de seus primeiros furos ao tentar fazer uma piadinha envolvendo português e inglês, mas que não funciona na prática: É comum brasileiros confundirem hungry (faminto) e angry (raivoso), mas o mesmo não acontece ao contrário como é mostrado no filme. Além disso, um dos personagens que mais aparecem falando português, nesse começo de filme, tem um sotaque perceptivelmente não-nativo. Mas apesar dos pesares, o começo tem seqüências de perseguição muito bem organizadas e pensadas (o soldado caindo da laje de uma casa depois de passar pelos varais é um exemplo). Entretanto, a primeira cena que mostraria o monstro verde falha ao tentar guardar para mais tarde uma surpresa que todos já conhecem, uma vez que o longa se trata de uma continuação, não de um novo começo.

É logo depois desse momento que o roteiro dá um seus maiores escorregões. Depois de conseguir escapar dos soldados no Brasil, Bruce Banner chega na Guatemala em apenas um dia! Pois é, acreditem. Logo depois disso, ele chega ao México e posteriormente aos Estados Unidos. Tudo isso a pé e em 17 dias. Ignorando-se o fato de que os Estados Unidos tem a fronteira com o México toda protegida e que Bruce era perseguido por Deus e o mundo, você pode engolir essa parte da história muito mais facilmente.

É agora que uma das partes mais atrativas e ao mesmo tempo a mais desastrosa do filme ocorre: A história de amor de Bruce com Elizabeth. O amor dos dois convence em certos momentos (como na cena em que Bruce/Hulk a leva para uma caverna e ela tenta controlar a raiva dele, numa cena à King Kong) e não convence nem um pouco em outros (graças à atuação, dessa vez fraca, de Liv Tyler, que parece estar fazendo teste para atuar como a elfa Arwen novamente, na adaptação futura de O Hobbit).

Apesar dos impasses do roteiro (só para citar mais um exemplo, a fuga de Bruce de Elizabeth e sua corrida para um abraço de reencontro dois minutos depois foi bem idiota), o filme consegue se manter firme em todas as cenas de ação. A “última batalha” é uma das poucas “últimas batalhas” realmente boas desse ano no gênero, contendo acontecimentos constantes e intensos envolvendo todos os personagens principais (embora o script aqui encontre uma maneira aparentemente estranha de resolver um problema envolvendo fogo e um helicóptero) e sendo longa o suficiente para que se comece a temer a vida do herói, por mais que se saiba que nada realmente ruim acontecerá a ele. Os efeitos visuais e sonoros dessas cenas também são muito bons, embora o mesmo já não possa ser dito dos efeitos e texturas usados para criar o “herói” do título na maior parte do tempo.

Com tudo isso que foi dito, me permito um parágrafo totalmente em primeira pessoa para fechar essa crítica:

Apesar de ter ido ao cinema com a idéia fixa na cabeça de que O Incrível Hulk seria uma porcaria devido à premissa, devo tirar o chapéu para os roteiristas, que contrariando expectativas conseguiram uma história interessante; e para o diretor, que conseguiu se manter firme em todas as cenas em que precisava sê-lo. É sempre bom ter uma “decepção” do tipo quando o assunto é cinema, pois pelo menos dessa vez meus oito reais não foram tão mal gastos.


The Incredible Hulk (EUA, 2008). Ação. Universal Pictures.
Direção: Louis Leterrier
Elenco: Edward Norton, Liv Tyler.

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