Os 3: Um bate-papo com o diretor, elenco e diretor de fotografia

Nacional
// 11/11/2011

Não só uma boa história e técnica fazem um filme. A direção e a aproximação com o elenco são o ponto-chave de um produto cinematográfico. A proposta de Os 3 jamais teria alcançado o mesmo resultado não fosse a boa execução dentro das características acima citadas.

Clicando em “Ver Completo” você lerá o nosso bate-papo com o diretor, elenco e diretor de fotografia de Os 3.

Da esquerda para a direita, Juliana SchalchGabriel Godoy e Victor Mendes.

Os 3
Bate-papo com a equipe 

Durante o Festival do Rio 2011, o filme Os 3 fora apresentado em uma sessão especial, fora do circuito competitivo, para uma plateia de convidados. Foi no mesmo festival que o Pipoca Combo teve a oportunidade de conversar com o elenco formado pelo trio Juliana Schalch, Victor Mendes e Gabriel Godoy, além de Sophia Reis, do diretor Nando Olival e do diretor de fotografia e co-produtor Ricardo Della Rosa.

O Elenco: Os Três + Sophia

Pode soar como uma forçada nossa, mas é desse jeito (“os três”) que a referência é feita para Juliana Schalch, Victor Mendes e Gabriel Godoy. A própria assessoria e os jornalistas os chamam assim. Não é por menos. Ao conhecer o elenco, a primeira impressão tida é a de que na tela muito pouco era atuação. Os três são extremamente entrosados e o vínculo de amizade é escancarado.

Juliana, Victor e Gabriel são iniciantes no Cinema, apesar de um ou outro trabalho anterior. Juliana fez uma participação especial em Tropa de Elite 2, de José Padilha, além da novela “Morde & Assopra”. Já Gabriel e Victor são oriundos da publicidade e do teatro e juntos têm tocado inúmeros projetos de humor.

No filme, há a sensação de que cada um dos atores colocou um pouquinho de si em cada personagem. E ao serem perguntados sobre essa possibilidade, todos os três concordaram. “O que mais gosto na Camila é aquele jeito firme, aquela coisa intempestiva dela”, conta Juliana. Para Victor, a graça está no olhar observador do personagem, Rafael. Enquanto que para Gabriel o traço mais marcante é a imaturidade do personagem. A escolha feita pelos atores faz sentido. Cada uma das qualidades citadas é, de fato, aquela em evidência em seus personagens. E talvez isso se deva ao processo de seleção de elenco (feita em conjunto, e não individualmente, como contaram os três e mais tarde foi confirmado pelo diretor).

Ao serem perguntados sobre a questão de fazer um filme adolescente sem soar bobo, o trio apresentou inúmeros fatos do processo criativo que colaboraram para fugirem dessa via. “O Nando não permitia o caco [momento em que o ator interfere na fala do personagem com uma improvisação], ou então controlava”, conta Juliana. Questionado se esse seria um método para evitar o uso de expressões e gírias que poderiam vir a tornar a coisa artificial, Gabriel confirmou. Segundo o ator, o texto do filme fora uma parte muito importante para alcançar o resultado esperado. “Muito da comédia às vezes não está só nas falas, mas no tempo que é dado entre uma fala e outra”, lembra. Outro ponto que faz muito sentido e se vê na tela como parte crucial do humor do filme.

Sophia Reis, assim como sua personagem, chegou quase que de para quedas. Quando fez o seu primeiro teste para o elenco, os outros integrantes já estavam filmando. Tal teste, inclusive, foi feito com um dos rapazes. A atriz já tinha participado do filme Meu Tio Matou um Cara e está no time do programa A Liga, da Band. E, assim como os outros, sua preferência em torno daquela que interpreta (Bárbara) está no ponto mais saliente de sua estrutura. Bárbara é, mais do que os outros, palpável. Enquanto todos os três já estavam imersos no grande emaranhado que era a situação em que se meteram, Bárbara chega com uma postura de alguém de fora e age como qualquer um outro agiria. Quer se incluir, mas enxerga a obviedade das coisas e como tirar melhor proveito de algo que pode ser um problema.

“Qual seria a sua cena preferida?”, perguntei a Sophia. “A de sexo, sem dúvida”. Com as devidas explicações, claro. “Havia uma grande preocupação em não tornar nada vulgar. Então foi um conjunto de esforços meus, do Victor, do Nando, da fotografia… Tudo foi feito com cuidado porque a cena precisava ficar bacana, nada vulgar”. O resultado foi muito bom, é verdade. Mas deixou Sophia tensa por muito, muito tempo. “O filme foi rodado em 2009, então até eu poder ver… Nossa, fiquei muito feliz quando vi que o resultado dessa cena em especial foi muito bom”.

E foi unânime. Para todos os quatro a primeira vez que viram o filme foi muito mais impactante do que o trabalho de divulgação. “Fiquei muito mais nervosa antes de ver o filme pela primeira vez do que pra premiere”, conta Camila. “Quando vimos, na casa do Nando, ficamos calados. E aí ele disse ‘E então? Falem algo’. A gente tava mudo”, lembrou Gabriel.

O Diretor e a Fotografia

Atencioso, o diretor Nando Olival, que já trabalhou com Fernando Meirelles co-dirigindo Domésticas – O Filme, conversou rapidamente, mas o suficiente para falar um pouco sobre o processo criativo e de seleção de elenco e sobre o momento do Cinema brasileiro.

Ao perguntar se houve algum momento de dificuldade em alcançar o desejado já que se tratava de um grupo estreante, Nando disse que não. “(…) O lado bom é o frescor por eles serem jovens”. Mas comentou também como tudo poderia ter ocorrido caso tivesse optado por rostos conhecidos. Segundo o próprio, o bom de tratar com estreantes, além do mencionado frescor, é o fato de que atores conhecidos poderiam refletir no público um personagem que os tenha marcado. Não era isso o que ele queria para o filme.

A ideia de Nando é justa, uma vez que o longa se baseia muito em seus personagens para funcionar. “Quando fizemos os testes coloquei os atores juntos. Não adiantava testar em separado, tinha que saber se aquela Camila funcionava com aquele Casé (…). Já tinha certeza que seria sensual, então eles teriam que ser próximos”. E pelo o que se vê dentro e fora da tela, a escolha foi acertada. “A gente nota que eles ficaram mesmo amigos”. E mesmo ao chegarmos ao fato de que os atores estavam à vontade ao interpretarem seus papéis, Nando explicou que a ideia de “vetar” o caco era para não estabelecer uma mudança nas falas de última hora e evitar que algo saísse do que os personagens deveriam ser. Um cuidado muito preciso com as características de cada um.

Falando em mudanças, o diretor de fotografia Ricardo Della Rosa precisou, ao contrário do texto de Nando, enfrentar algumas. De imediato, Della Rosa já explicou o grande problema da produção: “É um filme que se passa basicamente em uma única locação, então precisávamos com a fotografia criar climas diferentes”. O resultado é alcançado, é verdade. O trabalho é bem pontuado não só na simulação de diferentes iluminações no ambiente (papel básico de todo trabalho com fotografia) como também em modificar o impacto do espaço mediante as diversas necessidades da história. Foi ao observar este ponto em tratar de um mesmo ambiente que perguntei, esperando como resposta o trabalho com cena de sexo “teve alguma sequência cujo resultado tenha ficado melhor do que o esperado?”. “Não. Teve uma que ficou pior!”. Rindo, Della Rosa excplicou que a sequência em que Rafael sai com o fusca de noite foi filmado de dia, e todo a iluminação artificial presente na cena fora acrescentada depois. Desde o farol do carro até as luzes nas janelas dos prédios. Fora o escurecimento da cena. Não fosse o aviso e um pouquinho de atenção, seria imperceptível.

Nando e Della Rosa concordam que, no Brasil, produzir um filme às vezes é complicado. “Muitas vezes se faz um filme de arte em que o cara sabe que não vai lucrar”, explica Nando. Muitas vezes, para produzir um longa no Brasil deve-se contar com o apoio financeiro de inúmeras empresas, cuja verba ajuda na realização do filme (mas, claro, pode influenciar naquilo que o produtor deseja contar na sua história). “Tivemos sorte que apareceu a Warner com o interesse de distribuir o filme”.

E para conquistarmos de vez o público nacional antes de pensarmos em Oscars, ou seja, acabar com o preconceito, o que é preciso? E o que gerou tal preconceito, possíveis falhas nossas?

“Unir o filme de arte ao filme de mercado. O problema não são os filmes em si, mas os temas abordados neles. O público voltou ao cinema porque voltamos a falar de coisas que interessam o público. Poxa, meus filhos tão falando de ‘Se Beber, Não Case’, filmes que têm algo divertido pra eles. Precisamos fazer isso aqui também. E isso tem sido feito”.

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