Power Rangers | Os novos uniformes fazem sentido?

Ação
// 06/05/2016
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Nessa quinta-feira, a Lionsgate divulgou a primeira imagem oficial dos uniformes dos Power Rangers para o novo filme que recontará a trama da primeira temporada da série de TV original dos anos 90. E o retorno do público, ao que parece, não só foi o que a equipe do longa esperava, como também bastante positiva – a julgar pelo que se vê em comentários de sites, fóruns e tuítes. Mas, claro, com ressalvas a todo lado.

A primeira acusação é aquela que sugere uma inspiração no traje do Homem de Ferro. Em uma rápida batida de olho, é o que pode parecer (ainda mais pelo involuntário condicionamento dado pela imagem ao ter o Ranger Vermelho – mesma cor do herói da Marvel – ao centro). Mas o argumento por trás dos novos Rangers está muito além do que a tecnologia Stark pode produzir e, com um olhar mais atento, é possível verificar que isso se comprova no design e na execução. Ainda que a roupa tenha elementos robóticos para compôr a armadura, os traços e junções de cada peça sugerem um movimento orgânico em formas livres, que resgatam um padrão alienígena (a origem dos poderes dos Power Rangers desde o seriado original) e ainda fazem, de forma muito discreta, alusões a características muito próprias dos uniformes da série Mighty Morphin Power Rangers. Não. Não tem nada de Homem de Ferro aí, mas sim um tecido alienígena que se constrói sobre a pele da pessoa e simula uma nova musculatura semi-robótica. Mas esse nem é o maior trunfo.

Quando a foto de Elizabeth Banks como Rita Repulsa foi trazida a público em abril, as reações foram completamente divididas: do “nada a ver com a Rita que conheço” ao “incrível”. E é a partir daí que precisamos começar a análise. Na série, Rita é uma alienígena que invade a Terra e tenta conquistá-la, mas é impedida por Zordon, um outro extraterrestre que também vive no nosso planeta e usa seus poderes para entregar a cinco adolescentes uma força de combate para defenderem o mundo. A questão é: em quê o visual de Rita Repulsa na série de 1994 lembrava uma extraterrestre? Absolutamente nada. Toda a Direção de Arte que envolvia a personagem muito mais nos remetia a uma bruxa anciã envolta a ícones da cultura terrestre. Nada de alien ali. Em quê, aliás, os uniformes dos heróis remetiam a algo que deriva de um poder oriundo de um lugar muito longe do universo? Roupas de tecido comum, botas, cinto e capacetes. É, nada também. Esse é o grande elemento básico que o novo filme quer remodelar. É evidente como a equipe de Power Rangers se manteve cem porcento fiel ao argumento-base do seriado de TV, mas criando um design de produção que finalmente casasse com essa proposta.

 


 

Não tem nada de Homem de Ferro aí, mas sim tecido alien que se constrói na pele da pessoa como uma nova musculatura.

 


 

Segundo o diretor Dean Israelite, Elizabeth Banks e o Diretor de Arte, na trama, Rita e os Power Rangers têm pontos em comum na origem de suas existências, o que explica os traços similares tanto no visual da vilã quanto dos heróis (teorias até o momento já são inúmeras, algumas bem estapafúrdias). E, se levarmos em consideração o fato de que muito provavelmente o segundo longa focará no Ranger Verde do mal criado por Rita, combatendo o time até o momento em que ele muda de lado e se torna parte da equipe, é possível enxergar como o padrão esverdeado com detalhes em dourado desta versão da vilã foi elaborado para ter uma relação estreia com a história.

De acordo com informações surgidas de dentro da produção, Jason, Kimberly, Billy, Zack e Trini não se conhecem no início da história e, após uma sucessão de fatos, escapam através de um lago, onde chegam até uma fossa e têm seu primeiro contato com aquilo que os levará a se tornarem Rangers (se será de fato Zordon ou não, não sabemos). Isso, somado ao que já é de maior conhecimento, dá origem a mais e mais teorias, como aquela que diz que Rita fora, na verdade, a primeira Ranger criada por Zordon (a Ranger Verde) e após se bandear para o mal intenta destruí-lo e a outros planetas. É absurdo? Um pouco. Faz sentido? Sim, principalmente porque ela poderia, muito bem, transmitir parte desses poderes para um Ranger criado por ela para combater os protagonistas no segundo filme. Particularmente, acho que não. Acredito que mudanças acontecerão para a trama ficar mais coerente, mas a linha narrativa seguirá as três temporadas da série Mighty Morphin, com o Ranger Verde no segundo filme como vilão principal e a chegada de Lord Zedd no terceiro e último filme, em que Tommy (que, há boatos, já foi escalado e deve dar um “olá” na cena final do primeiro filme) vira o Ranger Branco e lidera a batalha final contra o vilão master da franquia.

 


 

Em quê o visual de Rita Repulsa na série de 1994 lembrava uma extraterrestre? Absolutamente nada.

 


 

Por ora, o ideal é não ter o veredicto a partir da imagem. Primeiro, porque ela se trata de uma arte conceitual (apesar de oficial) e não são os atores de fato trajando as roupas (que serão parte feitas de verdade, parte criadas por computação gráfica). O que significa que é preciso vermos uma imagem finalizada do longa para julgar. Segundo, porque a composição da foto usou de efeitos de iluminação que muito ajudam pra dar a impressão errada (um foco de luz caiu bem sobre o peito do Ranger Vermelho onde seria o reator Ark no Homem de Ferro – pois é!) e, por fim, é bom lembrar: você pode não ter gostado do design, do molde dos capacetes (eu também não – por enquanto) e do uso de uma cor ali e outra ali (tá faltando branco em algum lugar? Concordo), mas eles são, antes de mais nada, funcionais e muito bem relacionados com o tipo de proposta que o filme quer passar. E, como disse o próprio Israelite, “não vamos agradar todo mundo, mas queremos focar em um novo público, mais adulto, além daqueles que podem se tornar fãs só agora”.

Power Rangers estreia em março de 2017 (e até agora não sabemos se teremos Megazord).

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