PRIMEIRAS IMPRESSÕES: Super 8

Ação
// 26/05/2011


Com muita honestidade, toda a campanha e o falatório – morno, por sinal – de Super 8 não havia me atingido até então. Talvez pela neutralidade de interesse pela trama, ou por conta de todo esse sigilo feito ao redor do longa. E tenho a ligeira desconfiança de que não era o único. Pudera.

Leia mais sobre a análise da prévia de 20 minutos de Super 8 clicando em “Ver Completo”. Livre de spoilers.

Primeiras Impressões
Super 8
por Arthur Melo

Mesmo que J.J. Abrams carregue um público poderosíssimo (afinal, estamos falando do idealizador do maior fenômeno da TV mundial nos últimos anos, Lost, e diretor do excelente Star Trek, de 2009) e Steven Spielberg seja um dos grandes ícones dos blockbusters, estamos falando de uma produção que não tem seu público garantido a priori. Não é uma adaptação com fãs oriundos de um outro formato, então interesse ainda deve ser formado. Sustentar o marketing quase inexistente de Super 8 nos nomes de seu diretor e produtor era importante, mas não estava se mostrando o suficiente. E, se até o momento ninguém estava falando do filme com tanta frequência, agora vai falar. A julgar pelos vinte minutos exibidos hoje para a imprensa, Super 8 tem o necessário para cobrir todo o território nerd e se esticar pelo público mais genérico.

A prévia foi introduzida pelo próprio Abrams em uma coletiva feita momentos antes de uma das exibições da mesma. Durante seus comentários, o diretor explicou como surgiu a ideia, como ela foi levada até Spielberg (que parecia estar sempre muito ocupado a ponto de desligar o telefone após cada resposta positiva) e como se deu o desenvolvimento dos personagens principais e a seleção do elenco infantil. O que torna a fração do longa exibida muito mais interessante é a comprovação da minúcia nesta escolha dos atores jovens, além da qualidade alcançada mesmo sob efeitos visuais, edição e mixagem de som, trilha sonora e edição não finalizados.

Basicamente, o longa narra a tentativa de um grupo de garotos da década de 70 de rodar um filme em formato super 8. Em uma das etapas de filmagens, instalada à noite em uma pequena subestação ferroviária, as crianças testemunham um “acidente” de trem de grandes proporções, escapando por pouco. Não sabiam, porém – e isto nós temos conhecimento devido ao que já temos ciência sobre a história, e não pelo que foi exibido -, que o carregamento vivo daquele trem tinha como origem a famosa Área 51.

O atrativo de Super 8 é a sensação de iminência posta em sua elaboração, sem que pra isso tenha que impor um tom de urgência nas sequências, o que aqui seria prejudicial para solidificar o entrosamento dos envolvidos na história. Para ganhar a confiança do espectador, é hábil em estabelecer um vínculo entre seus personagens em poucos minutos de projeção (o que caiu muito bem para com a necessidade do material exibido na prévia) e em explorar a capacidade das crianças do elenco em dominar as cenas. Em sua dinâmica, é perceptível uma atmosfera ameaçadora para o espectador, mesmo que o ambiente de atuação demonstre ser tão familiar e confortável para os personagens. Para atenuar essa sensação aos que residem fora da tela, tomadas abertas e poucas trocas de câmera, optando por uma mudança de foco instantâneo muito bem aproveitado em seu efeito final.

Quando o filme sente que já conquistou, pretende manter o nível atingido e não peca na ação – claro, a julgar pelo que foi visto até então. A sequência de destruição do trem com o lançamento das crianças em meio ao acidente é espetacular pela sua execução visual e sonora. Isso sem mencionar a segurança de Abrams em manter aqueles mesmos planos abertos em muitas ocasiões mais suscetíveis a falhas. Falhas que, para sua sorte, não há.

Se o material completo de Super 8 refletir todo o tino aventuresco respeitando a mesclagem com a ficção científica e uma boa dose de companheirismo (o alicerce dos personagens), então estará no ponto não só de um bom produto do cinema como também muito próximo do que o público gosta, quer e precisa ver em uma obra original. Doze de agosto já tem um lugar especial no nosso calendário.

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