CRÍTICA: Star Wars – The Clone Wars

Ação
// 13/08/2008


Star Wars – Clone Wars

Por Henrique Marino

Antes de entrar na sessão de Star Wars – The Clone Wars estava me perguntando para que diabos George Lucas fez esse filme e toda essa série televisiva em animação de 100 episódios (previstos). Para me responder a essa pergunta, utilizei três hipóteses que talvez se confirmassem ao fim da película: 1) chamar a atenção do público infantil para o mundo Star Wars; 2) complementar a história ou 3) não passa de mais uma fonte alternativa de lucro.

A primeira hipótese é óbvia por um fator externo ao filme: a série para televisão será transmitida pelo Cartoon Network. Outro fator de obviedade é que se trata de animação; não que toda animação seja exclusiva para o público infantil como Érika Zemuner escreveu no seu texto de estréia para a coluna Anime-se, mas em muitas ocasiões o público adulto também é incluso e em raras vezes a animação só admite o público adulto – o que não acontece no caso de Star Wars – The Clone Wars. No entanto, essa hipótese pode ser absolutamente confirmada por alguns detalhes: as piadas são infantis boa parte do tempo, tanto que em certos momentos a piada apenas soava como piada, mas não saía do soar-piada; os andróides até ficam mais estúpidos do que já eram para divertir o público – o que cansa depois de um tempo porque boa parte do fundo cômico vem deles; há também muitas frases desnecessárias para um público com mais idade, tanto por serem muito didáticas como por se tratarem apenas de uma forma, inútil – já lhes digo porque – de exteriorizar os sentimentos das personagens em relação à situação ou, então, para fazer algum gracejo.

Deixe-me fazer uma nota antes de prosseguir. Disse que eram inúteis as tentativas de exteriorizar os sentimentos das personagens. Pois bem, já se encontra uma dificuldade enorme na atuação convencional dotada de expressões corporal, vocal, gestual, facial, etc. Há, então, numa animação à computação gráfica, uma forte barreira a se transpor e cabe ao dublador superar isso. Mas, infelizmente, as vozes não são capazes de satisfazer essa necessidade. Em especial a de James Arnold Taylor, a voz de Obi-Wan Kenobi, que muitas vezes parece não trazer sentimento algum e a voz de Padmé Amídala, Cat Taber, que num dado momento de sarcasmo um simples “acredito” não foi nem um pouco condizente com a situação irônica.

Retomando, deve-se verificar a segunda hipótese, antes dada, pela história que nos é apresentada durante o longa. Trata-se de um enredo simples e sem muita previsibilidade que gira em torno de uma missão concebida à Anakin Skywalker e sua nova padawan, Ashoka Tano – uma personagem enfiada sem um propósito importante para a história geral de Star Wars senão para desenvolver uma nova e superficial relação jedi/padawan. Bastante linear, o roteiro não deixa pendências dentro do que é proposto, no entanto, é possível notar como ele mais parece um roteiro para episódio televisivo que para um filme de 90 minutos, estendido apenas por meio de enxertos de cenas de ação e guerra. Com isso dito, é impossível reconhecer que esta fosse uma peça que faltava no complemento da história.

A terceira e última hipótese, óbvia, é e sempre foi coadjuvante de Star Wars. Não houve película da série em que o objetivo hollywoodiano de enriquecer alguns cofres não pudesse ser observado. Além do mais, a história dessa em particular não é mais que um prelúdio, um tira-gosto que incita o espectador a ver o que virá a seguir: a série para a televisão. É possível observar que o filme é um abre propagandístico, uma ferramenta de marketing para algo mais ambicioso: a venda de produtos relacionados à série para futuros fãs mirins.

Star Wars – The Clone Wars (EUA, 2008). Animação. Ação. Warner Bros. Pic tures
Direção: Dave Filoni
Elenco: Matt Lanter, Matthew Wood, Ashley Eckstein, Anthony Daniels

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