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Arquivo da Categoria “Críticas”

Caso sintomático de remake do remake – o filme é uma nova versão do clássico faroeste homônimo de 1960 que, por sua vez, era a refilmagem norte-americana de Sete Samurais, realizado por Akira Kurosawa em 1954 – Sete Homens e Um Destino apresenta um elenco forte e extremamente à vontade em um dos melhores blockbusters do ano.

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Algo entre uma continuação e um remake com orçamento mais robusto do lendário original, Bruxa de Blair se apoia fortemente na imagética do primeiro filme para construir uma atmosfera tensa, mas afunda entre clichês, viradas forçadas e personagens ainda mais imbecis do que a média do gênero.

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Ícone da ficção científica, Star Trek se renovou e abrangeu um novo público com o lançamento, em 2009, do reboot de mesmo título que marcou o tom para uma nova era da franquia sem, em momento algum, ignorar suas raízes clássicas. A obra de J. J. Abrams ganhou uma continuação, Star Trek: Além da Escuridão, em 2013 pelas mãos do mesmo diretor e manteve sua qualidade em termos de narrativa em ação. Este ano o novo capítulo, Star Trek: Sem Fronteiras, chegou aos cinemas sob a direção de Justin Lin (franquia Velozes e Furiosos), que entrega cenas de ação intensas, mas que fica devendo no que diz respeito ao desenrolar da trama quando comparado ao que fez o cineasta anterior.

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Temos algumas certezas nessa vida. Longe de ser filosófico, não estou me referindo à morte, mas a acontecimentos mais triviais da nossa cultura que, de tão esperados, são quase previsíveis. Roberto Carlos vai cantar na Globo no Natal, Sonia Abrão vai passar um mês falando da morte de algum famoso e Woody Allen vai lançar um novo filme este ano. Pois é, o octagenário diretor lança uma nova obra anualmente há mais de trinta anos e não parece estar perto de diminuir esse ritmo. Isso é bom porque temos sempre mais uma oportunidade de conviver com sua fina ironia, mas, é claro, acaba dando espaços para altos e baixos em sua carreira.

Café Society fica ali pelo meio, num espaço destinado a bons filmes fáceis de serem esquecidos. Mais do que esquecível, Café Society é quase confundível com outros tantos filmes do diretor em que o personagem principal é ele próprio, ainda que interpretado por outro artista.

Jesse Eisenberg é a bola da vez. O ator cumpre à risca o papel do homem inseguro – mas algo charmoso -, valendo-se dos seus conhecidos cacoetes de interpretação, como a fala rápida e o ar nervosinho. Kristen Stewart é até um pouco mais expressiva, mas não sustenta o peso de musa, que melhor caberia a Blake Lively, ladra das poucas cenas em que aparece. Steve Carell, ótimo, traz mais sangue nos olhos e entrega um Phill bem interessante.

A história desses quatro personagens gera uma comédia romântica com cara de domingo à tarde: rende uma selfie na praia, alguns likes, mas logo some da timeline. Diferentemente de Vicky Cristina Barcelona ou de Blue Jasmine, pérolas Woodyanas, não vai ser trending topic da segunda-feira.


Cafe Society (EUA, 2016). Comédia Romântica. Lionsgate.
Direção: Woody Allen
Elenco: Jessie Eisenberg, Kristen Stewart, Blake Lively, Steve Carell.
Status: Em exibição.

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Honesto, ainda que pouco crível, Águas Rasas é um exercício narrativo que se encaixa em um nicho cinematográfico bem específico: os suspenses de um ambiente (e um protagonista) só. O filme, que pode até ser encarado como a redenção cinematográfica de Blake Lively (Gossip Girl, o insosso Selvagens), eleva a tensão a níveis que beiram o insuportável – de um jeito bom – mas, como o título deixa explícito, não se aprofunda em nenhum outro quesito.

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Cercado de expectativa e hype, além da responsabilidade de conferir credibilidade ao universo cinematográfico da DC Comics após o controverso Batman v Superman, Esquadrão Suicida chega aos cinemas como um filme que também sofre com uma trama sobrecarregada de elementos e tenta incansavelmente parecer cool. A boa notícia é que, quando alcança esse objetivo, o longa entrega ao público os melhores momentos da rival da Marvel na tela grande até agora.

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Um novo filme de Almodóvar é sempre um acontecimento para os cinéfilos de plantão. A ponto de suas obras, quando em cartaz, serem costumeiramente renomeadas para “o último do Almodóvar”, como se importasse mais sua autoria do que o conteúdo. No universo mais pop, esse fenômeno também pode ser sentido, por exemplo, com Tarantino e Woody Allen, certamente porque é fácil identificar nos três casos uma assinatura bem típica do diretor.

Especificamente no caso de Almodóvar, há quase uma dupla personalidade: o espanhol alterna entre dramalhão – como os ótimos Tudo Sobre Minha Mãe e A Pele que Habito – e nonsense histérico, como seu mais recente (e esquecível) Os Amantes Passageiros.

Então, qual é a cara do último do Almodóvar? Julieta é uma dose de 100 minutos de melancolia. A história, que alterna entre presente e flashback, é constantemente triste, mesmo nos momentos de alegria dos personagens. Contribui para isso uma trilha sonora pesada, quase tensa, que parece dizer o tempo todo para o espectador: algo de ruim vai acontecer. Com isso, o filme segura a atenção. Mas cansa em alguns momentos na espera de um clímax que que quando chega não consegue impactar porque é incompleto.

Ainda assim, é uma obra elegante, bonita de se ver. Emma Suarez se sai muito bem como a Julieta mais madura e sofrida, enquanto Adriana Ugarte impressiona mais pela beleza de sua jovem Julieta. Daniel Grao convence como o pescador bonitão e Rossy de Palma é responsável pelos pontuais sorrisos da plateia.

Ao final, embora Julieta não alcance o nível dos melhores filmes do diretor espanhol, o redime do equivocado filme anterior e confirma a tese de que sempre vale a pena conferir o “último do Almodóvar”.


Julieta (Espanha, 2016). Drama. Universal Pictures.
Direção: Pedro ALmodóvar
Elenco: Adriana Ugarte, Rossy de Palma, Inma Cuesta
Status: em exibição.

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Algumas produções cinematográficas, ainda na fase de pré-produção, já possuem legiões entusiasmadas de fãs. Outras já começam sob uma enxurrada de críticas. No entanto, a refilmagem de Caça-Fantasmas é um caso singular na indústria de Hollywood. Atacando uma das produções mais marcantes da década de 1980, fenômeno cultural da época, o filme de Paul Feig recebeu um volume inédito de reprovações, culminando em movimentos de boicote e ameaças de morte a ele próprio e ao elenco. É extremamente necessário que a sociedade reflita sobre o senso ético — ou a falta de — ao lidar com a frustração de expectativas.

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Não fosse a presença de Emilia Clarke, muito em evidência por causa de seu papel na série Game of Thrones, é bastante provável que Como Eu Era Antes de Você não teria alcançado a liderança da bilheteria brasileira. Eu também estava na expectativa de ver a Não Queimada numa personagem atual e urbana, então lá fui eu ao cinema prestigiar o filme romântico da vez, esperando, quem sabe, ser surpreendido por algo interessante. É bem verdade que o trailer já indicava se tratar de um sopão de clichês, mas, ainda assim, resolvi arriscar.

Pois era melhor ter ficado em casa vendo a reprise de GoT.

Como Eu Era Antes de Você, adaptação do livro de mesmo título, aposta na linha dramédia, popularizada nos últimos tempos em séries e filmes. E segue a cartilha direitinho: tem protagonista fofa, tem personagem amargo que vai adoçando, tem cena feita-pra-rir, tem cena feita-pra-chorar, tem amor improvável (que, na verdade, é óbvio que vai acontecer) e, claro, tem sofrimento, representado aqui pela tetraplegia de Will. Ah, e se nada disso te pegar, ainda tem música bonitinha do Ed Sheeran, que você já cantarolou por aí e que vai de primeira aquecer seu coração.

Emilia Clarke aposta em caretas pra compor sua Louisa e acaba caindo na caricatura. Melhor está Sam Clafin no papel de Will Traynor, o playboy bonitão que leva uma rasteira da vida e tem que se equilibrar entre suas limitações físicas e o eterno jeito sedutor.

No mais, é tudo bastante previsível, até mesmo o choro de parte da plateia.


Me Before You (EUA, 2016). Romance. Warner Bros.
Direção: Thea Sharrock
Elenco: Emilia Clarke, Sam Claflin, Janet McTeer
Status: em exibição

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Lá se vão 13 anos desde que Procurando Nemo chegou aos cinemas e cativou o mundo com a emocionante história de um pai, Marlin, que cruza o oceano para reencontrar seu filho, Nemo. Ainda que os peixes-palhaço sejam as grandes estrelas da trama, quem rouba a cena é de outra espécie: a cirurgião-patela Dory, que se tornou um grande ícone da cultura pop por encantar a todos com seu bom humor e determinação para continuar a nadar mesmo sofrendo com sua perda de memória recente. O sucesso foi tanto que ela se tornou a protagonista-título da continuação, Procurando Dory, que estreia amanhã.

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É inegável que Independence Day – o original, de 1996 – é um dos maiores clássicos do cinema no que tange alienígenas invadindo a Terra, além de ser um grande sucesso de público: arrecadou US$817 milhões mundo afora e custou “apenas” US$ 75 milhões. Dessa forma, é natural que esteja presente no imaginário popular e nos planos da 20th Century Fox, que, como outros grandes estúdios e distribuidoras, tanto insistem em reboots, continuações, prelúdios e o que quer que possa ser convertido em cifras. Independence Day: O Ressurgimento – o novo, deste ano – se esforça para transformar a si próprio e seu antecessor em uma franquia, mas não consegue ir muito além do desejo por dinheiro e da megalomania cada vez mais superficial de seu diretor, Roland Emmerich.

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Assistir a um filme com Ricardo Darín é, mal comparando, como assistir a um filme com Wagner Moura. Pode até não ser um filmaço, mas é uma garantia, via de regra, de um produto final bem cuidado. Esse é o caso de Truman: um exemplar menos relevante na carreira do ator argentino, mas que, nem por isso, deixa de ser um bom filme.

Darín é Julian, ator de sucesso que decide não mais lutar contra um câncer em fase terminal para não ter que viver seus últimos dias no meio de médicos e de hospitais. Só que morrer dá trabalho, então ele tem que resolver algumas pendências burocráticas – como o destino a ser dado a seu cachorro, o Truman do título – e enfrentar a resistência dos amigos, que não concordam com sua decisão.

O filme, então, se desenrola com tranquilidade, equilibrando-se bem entre risadas e lágrimas, sem sobressaltos. Darin parece estar um pouco no piloto-automático, fazendo aquele típico argentino, meio reclamão, mas do bem. Melhor está Javier Câmara, que interpreta com sutileza o amigo Thomas, companheiro das últimas aventuras.

Truman, o cachorro, pouco aparece, mas acaba sendo bem representativo no final (fique tranquilo, não trabalhamos com spoilers). Truman, o filme, tem seus bons momentos, é bonitinho, mas não chega a comover.


Truman (Argentina/Espanha, 2015). Drama. Comédia. Pandora Filmes.
Direção: Cesc Gay.
Elenco: Ricardo Darín, Javier Câmara.
Status: em exibição.

 

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