CRÍTICA: A Fera

Críticas
// 23/12/2011

Tudo bem que alguns filmes chegam atrasados aqui no Brasil. Às vezes porque um lançamento 3D exige uma certa quantidade de salas disponíveis (e nós temos poucas) ou, então, pra engatilhar com a iminência de uma indicação ao Oscar. Há casos que não há motivo. A Fera, que chega quase dois anos depois no Brasil, é um deles. Mas certamente não é um caso de “antes tarde do que nunca”.

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A Fera
Por Eduardo Mercadante 

Há determinadas categorias de filmes cujas críticas são bem parecidas, tendo raras diferenças entre si. Esse é o caso de romances adolescentes com apelos míticos, como Crepúsculo e A Fera, que chega aos cinemas brasileiros quase dois anos após sua estreia nas terras do Tio Sam.

A fim de fugir dessa previsibilidade de argumentos, é interessante começar pelos pontos positivos. Primeiro, Neil Patrick Harris, popularmente conhecido por seu papel de Barney na série How I Met Your Mother, interpreta um cego responsável por todo e qualquer riso dos espectadores. Segundo, o filme dura apenas uma hora e trinta minutos. Terceiro… Infelizmente, por mais boa vontade que alguém possa ter, não há mais pontos positivos.

A Fera é, de fato, uma aglomeração de tentativas frustradas de salvar um fracasso certo. Já sabendo o histórico de má recepção de crítica da série da autora Stephenie Meyer, que pertence à mesma categoria do longa, o diretor e roteirista Daniel Barnz (No País das Maravilhas) aceita que a história é bastante centrada no público infanto-juvenil e não procura vendê-la como algo maduro. No entanto, isso acabou tornando-a ainda mais insuportável para quem não é fã do gênero. A escolha de música e as cenas mais marcantes cinematograficamente, como aquelas na cobertura dentro da estufa, são superficiais demais para atraírem um espectador que já não se insira na história por conta própria. De verdade, o enredo é tão fraco e tão pouco coeso que faz quem não leu o livro de Alex Flinn duvidar da qualidade literária da própria obra.

O enredo segue Kyle (Alex Pettyfer), filho de um famoso âncora, que era o garoto mais bonito de sua escola. Toda sua vida girava em torno de aparências e de humilhar quem era julgado feio; por isso, ele acaba sendo amaldiçoado pela colega de escola (Mary-Kate Olsen), que se revela uma bruxa bastante poderosa – um dos muitos abusos cometidos pelo autor para forçar a história goela a baixo –, e se torna assustadoramente feio. Ele tem, então, que conseguir arrancar de alguém um genuíno “Eu te amo” antes de se passar um ano, ou continuaria daquela forma para sempre.

Depois de meses morando só com sua empregada e seu professor particular (Neil Patrick), Kyle acaba se interessando por outra aluna de sua escola, Lindy (Vanessa Hudgens). Após um acontecimento sem sentido algum, Lindy é forçada a viver com Kyle, pensando que na verdade ele era um garoto chamado Hunter, filho de um antigo amigo de seu pai. Começa, então, o desenrolar do amor entre os dois.

Os diálogos extremamente fracos do longa têm – somente – dois momentos relevantes: quando Lindy afirma que a forma como os jovens de hoje em dia encaram o amor é praticamente a morte do romance, e quando Kyle resume toda a história de sua maldição que só pode ser anulada pelo amor verdadeiro e diz: “Todo mundo já conhece essa história”. Intencionalmente, ou não, o roteirista conseguiu mostrar que seu filme, além de ser curto em duração, é ínfimo em relevância.

Por mais que se busque fugir do costumeiro, a crítica não podia ser diferente. Contrariando o bom senso, A Fera é classificado como romance, mas passa longe do que se esperaria de um filme dessa categoria. Ao retratar a futilidade e a superficialidade da sociedade do século XXI, o longa se revela fútil e superficial. O espectador sai da sala se perguntando duas coisas: quem deixou esse projeto ser posto em prática? E o que eu tinha na cabeça ao comprar o ingresso?

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Beastly (EUA, 2009). Romance. Imagem Filmes.
Direção: Daniel Barnz
Elenco: Neil Patrick Harris, Vanessa Hudgens.
Trailer 

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Categorias
Críticas, Fantasia, Romance