CRÍTICA: A Garota da Capa Vermelha

Críticas
// 20/04/2011

Para conseguir atingir um público, um filme pode usar de várias artimanhas, o que incluir decisões erradas também. A contratação de Catherine Hardwicke para comandar A Garota de Capa Vermelha é só uma constatação de que a diretora, assim como já tinha mostrado em Crepúsculo, não sabe mesmo conduzir bem uma história.

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A Garota da Capa Vermelha
Por Caique Bernardes

Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, a grande estrela por trás de A Garota da Capa Vermelha não é Amanda Seyfried, sua atriz principal. O nome que possui maior destaque em todos os pôsteres e trailers é o de sua diretora, a controversa Catherine Hardwicke (Aos Treze). Mais conhecida por comandar a adaptação do livro/febre adolescente Crepúsculo para as telas, ela agora tem a missão de aplicar um estilo mais sombrio e gótico nesta história repaginada de Chapeuzinho Vermelho. Além de, obviamente, atrair o público alvo de seu último sucesso de bilheteria para esse.

No filme, Valerie (Seyfried) mora em uma aldeia medieval isolada do mundo e está apaixonada por seu amigo de infância Peter (Shiloh Fernandez), mesmo prometida para o jovem filho de uma rica família, Henry (Max Irons), o qual não ama. Quando sua irmã aparece morta por um perigoso lobo, a garota ainda passa a lidar com o estranho interesse que a criatura nutre por ela. Nota-se que a história tenta se sustentar, mesmo tendo que chavear entre dois estilos tão distintos (do romance para o suspense e vice-versa), e talvez até o conseguisse, se não tivessem sido feitas tantas más escolhas – ironicamente ou não – na direção.

O romance, principal chamariz para o público jovem, deixa muito a desejar, até e principalmente se comparado à série dos vampiros que o tinha como núcleo central. Em “Capa Vermelha”, além de ser jogado para segundo plano pela maior parte da projeção (o que pode ser desapontante para alguns, embora positivo nos olhos de outros), a história do amor proibido não convence nem emociona. O casal principal, aliás, sofre de uma falta de química crônica, até nas cenas mais sensuais – que deveriam ser questão de honra nos filmes adolescentes de hoje, mas parecem artificiais e mecânicas.

No entanto, a parte envolvendo o suspense central é melhor explorada. Com a chegada do famoso inquisitor Padre Soloman (Gary Oldman, caricato, porém decente), revela-se que o lobo é, realmente, um lobisomem que toma forma humana durante o dia, podendo ser qualquer habitante da aldeia. Com o mistério instaurado, o filme faz questão de mostrar que ninguém está acima de qualquer suspeita, mesmo que para isso tenha que jogar a sutileza para escanteio. Sente-se uma certa “mão pesada” no uso dos recursos para criar suspense, principalmente nas câmeras subjetivas (susbstituindo o olhar dos personagens, muito usados em filmes de terror), por vezes desnecessárias. Aliadas aos closes nada discretos nos “suspeitos” criados, a história, mesmo que interessante, cansa a plateia.

A revelação final é plausível e, até certo ponto, surpreendente. Mesmo assim, a sensação ao sair da sala é a de que o filme poderia ter sido muito melhor. Talvez, se a fixação publicitária de transformar a adaptação sombria em um romance adolescente não a tivesse desconectado quase totalmente do original (a sequência do “que olhos grandes” parece quase uma piada; a capa é mero detalhe), o filme pudesse funcionar muito bem. Não é o caso.

Na guerra pelas bilheterias vale tudo. Vale contratar a diretora e a atriz queridinha do público. Vale lançar, meses antes, livro baseado no roteiro (e não o contrário) sem final para que seus leitores, instigados, vejam o filme. Vale até, infelizmente, apresentar um produto final que entrega – bem – menos do que promete.

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Red Ridding Hood (EUA, 2011). Fantasia. Warner Bros. Pictures.
Direção: Catherine Hardwicke
Elenco: Amanda Seyfried, Michael Hogan, Shiloh Fernandez
Trailer

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Críticas, Fantasia