CRÍTICA: A Rede Social

Biografia
// 02/12/2010

Um dos filmes mais comentados do ano chega ao Brasil amanhã. A Rede Social, já considerado um dos fortes candidatos a uma indicação ao Oscar de Melhor Filme, prima pela excelência em todos os seus aspectos cinematográficos enquanto narra como surgiu um dos maiores impérios da internet mundial a partir das mãos de um jovem capaz de reunir o melhor da criatividade de sua geração – claro, não apenas isso.

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A Rede Social
por Leandro Melo

Há alguns meses surgia no mundo virtual a notícia de que estava em pré-produção um filme sobre o Facebook. Não por surpresa, o projeto foi encarado com certa desconfiança por boa parte dos admiradores do bom Cinema. Felizmente, a maioria estava errada. A Rede Social (The Social Network) é uma obra profunda em todas as suas camadas. Analisar o filme como “a história da criação do Facebook” é preguiçoso e injusto. Uma realização sólida, extremamente bem executada e muito bem sustentada pelos seus pilares.

O primeiro de todos é o roteiro de Aaron Sorkin. Talvez seja necessário assistir ao filme mais de uma vez para absorver em toda a sua plenitude o abismo que separa o início dos créditos finais. Antes chegar à rede social virtual triunfante, passa-se pelo fiasco que é a vida offline de Mark Zuckerberg. A desconstrução do mito do herói exerce aqui um exemplar genial no século XXI. Pode-se dizer que a sua sociabilidade deformada é proporcional à sua criatividade, talento empreendedor e facilidade em criar tecnologias (ainda criança,  cedeu para a Microsoft um software para realizar downloads de mp3).

Paralelamente a apresentação da sua genialidade e conforme a película vai se desenvolvendo, há a inserção de cenas dos dois julgamentos pelos quais Zuckerberg respondeu, principalmente, por traição: a primeira, pelos gêmeos Winklevoss, juntamente com o amigo de ambos, Nerendra, que reinvidicavam a autoria do Facebook. No segundo julgamento, Mark é réu de seu próprio ex-melhor amigo, o brasileiro Eduardo Saverin, que reivindica a parte no site que lhe pertence. Após essa divisão na linearidade do roteiro há, então, três tempos. Em nenhum momento o desenvolvimento da obra é comprometido. Ao contrário, apenas acrescenta ainda mais profundidade ao tornar o personagem ambíguo, passando-o de herói a anti-herói na cena seguinte.

Para a composição das personas que constroem este universo, um elenco de atores não tão conhecidos do grande público (pelo menos por enquanto). A dupla criadora do site de relacionamento, Jesse Einsenberg (que faz o papel de Mark Zuckerberg) e Andrew Garfield (Eduardo Saverin) transbordam a urgência e vivacidade dos jovens que são, em uma naturalidade digna de prêmios. A curiosa participação de Justin Timberlake, como o neurótico e frustrado – porém genial – Sean Parker acaba por se tornar uma surpresa positiva. Sincronizando com a qualidade dos atores, Arnie Hamer (fazendo os gêmeos Tyler e Cameron Winklevoss) e Max Minghella (Divya Nerendra) encarnam os rivais de tribunal do protagonista em um nível, no mínimo, excelente.

Um outro pilar, essencial para a construção desta narrativa espetacular, é a trilha sonora monstruosa criada por Trent Reznor (idealizador e principal condutor do Nine Inch Nails). Não há como negar que a construção do longa em muito deve seu mérito à criação de Reznor (destaque para a releitura de In the Hall of the Mountain, de Edvard Grieg).

Para finalizar, o pilar central: David Fincher. Um diretor que dispensa apresentações e já entregou grandes exemplares da Sétima Arte. Não é exagero afirmar que em A Rede Social Fincher realiza um de seus maiores feitos. Em um filme de tantas escolhas acertadas, onde várias particularidades e excelência compõem um todo, somente um mestre teria a sensibilidade de gerenciar todos os elementos sem perder controle e equilíbrio necessário.

Se 2010 já está por se encerrar, pode-se então afirmar que A Rede Social é forte candidato a filme do ano, quiçá, dá década. E “o filme sobre o Facebook” corre o risco de ser lembrado como “o filme de uma geração”.

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The Social Network (EUA, 2010). Drama. Sony Pictures.
Direção: David Fincher
Elenco: Jesse Einsenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Arnie Hamer

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Biografia, Críticas, Drama