CRÍTICA: Alma Perdida

Críticas
// 19/03/2009


Sexta-feira 13 foi semana passada. Mas, mesmo assim, sobrou alguma coisa para quem já teve tempo de curtir Dia dos Namorados Macabros na estréia, tendo então que se contentar com Alma Perdida. Mas para os fãs do estilo,não é um motivo para se contentar. Os motivos? Leia a crítica completa!

Alma Perdida
Por Eliézer Carneiro – Crítico

É sempre complicado avaliar filmes de terror/suspense. Primeiramente porque não há como definir essas produções já que ultimamente têm aparecido vários que se dizem como pertencentes ao gênero, mas, na verdade, não passam de filmes de sustos. São hitórias que têm como principal motivo lotar o cinema, vender pipoca e fazer bilheteria. O público alvo é o de sempre: adolescentes, normalmente em grupos, fazendo uma “festa” dentro do cinema; diversão entre namorados ou entre casais ainda não formados – muitos relacionamentos começam dentro do cinema em meio a um filme ruim – só um comentário sem nenhuma relação com o todo.

A verdade é que classificar esses filmes como “suspense” seria uma terrível injustiça com os clássicos do gênero. Como colocar O Albergue do lado de Psicose, Os Pássaros e Intriga internacional? Ou como comparar o Bebê de Rosemary, Nosferatu e O Exorcista com Premonição? Não há diferenças só de qualidade, é toda uma inconstância de gênero. Atualmente, as produções que se dizem de suspense e terror não tem nada de, justamente, suspense e terror.

Alma Perdida fica “perdida” na sua identidade. O longa não decide o que quer ser: se pretende ser um filme de susto ou um bom suspense com uma história bem trabalhada. Infelizmente, essa sua dúvida atrapalha todo o andamento, pois a projeção não consegue ser nenhum dos dois completamente. Enquanto se caminha para ser mais um irregular filme de susto, o roteiro mostra algumas surpresas e situações que dão aquele gostinho de imaginar que ele poderia ter tomado rumo melhor ao invés do resultado final.

Escrito e dirigido por David S. Groyer, responsável pelos roteiros da trilogia Blade e um dos de Batman Begins e Batman – O Cavaleiro Das Trevas, Alma Perdida conta a história de uma jovem, órfã de mãe, que começa a ter sonhos e passar por situações estranhas. Sonhos e situações estas que, conforme ela vai investigando, se revelam uma trama macabra sobre o passado de sua família. Mas o que se vê no resultado disto é um filme confuso. Principalmente no começo, rodeado de clichês, diálogos rasos e cenas sensuais com a personagem principal de calcinha levando sustos, dando gritos e atormentada por insetos nojentos, Não se nega que o objetivo do longa é, de fato, levar os jovens. Somente por volta da metade do filme, o diretor tenta contar a história que até então estava relegada a segundo plano. Um problema, já que essa história se mostra confusa e não funciona, por mais que pareça interessante a mistura de mitologia judaica, exorcismo, holocausto e gêmeos. Talvez aí resida uma das maldades do filme, pois o enredo poderia ter sido melhor trabalhado. A idéia de misturar lendas judaicas, não muito conhecidas pelo grande público, com o universo dos filmes de terror até soa mais ou menos “original”. No entanto, fica a sensação de que poderia ter saído algo superior se o filme fosse focado em contar uma boa trama através de um roteiro desenvolvido para isso, ao invés de fazer a platéia saltar da cadeira através de um script montado em pedaços pra justificar o filme.

O elenco, como de praxe em filmes do “gênero”, é fraco. Constituído basicamente por iniciantes, em nenhum momento ele convence em cada papel. Até o veterano Gary Oldman não consegue brilhar no seu posto. O roteiro confuso atrelado a essas péssima atuações deixa o filme cansativo, fora o fato de tudo ser muito previsível – alguns sustos não surtem efeito pelo espectador já saber o que lhe aguarda, não há surpresas. Sem contar que, para nossa surpresa (agora sim ele surtiu efeito), a parte final parece ter sido filmada de qualquer maneira para unicamente terminar o longa e ainda deixar uma ponta para uma possível sequência.

Se você não está naquela descrição feita do público alvo no primeiro parágrafo, fica complicado achar motivos que  o levem ao cinema  para conferir Alma Perdida.

The Unborn (EUA, 2009). Terror. Paramount Pictures.
Direção: David S. Goyer.
Elenco: Cam Gigandet, Odette Yustman, Rhys Coiro e  Gary Oldman.

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Críticas, Terror