CRÍTICA: Fúria de Titãs

Ação
// 20/05/2010

Com um atraso significativo, Fúria de Titãs estreia nesta sexta-feira em circuito nacional. Amplamente criticado pela conversão às pressas de formato convencional para o 3D, o longa se mantém nos efeitos visuais em uma época do cinema em que nem mais isso é o suficiente para impressionar o público.

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Fúria de Titãs
por Leandro Melo

Em 1981, era lançado nos cinemas norte-americanos Fúria de Titãs, baseado livremente na mitologia grega e contando a história de Perseu, o semideus que desafiaria os deuses do Olimpo e traria de volta a paz entre humanos e divindades. Trazendo efeitos em stop-motion, a obra acabou por envelhecer, sendo cultuada por uns e tratado como um kitsch por outros, longe de ser uma unanimidade.

Após duas décadas, é finalizada e lançada a sua refilmagem. Fúria de Titãs (Clash of the Titans), dirigido por Louis Laterrier, segue a mesma sinopse da sua inspiração. A direção de Laterrier é estéril, não imprime nenhuma marca e apenas faz escolhas que já se tornaram certeiras em experiências bem sucedidas anteriormente em Hollywood. Sam Worthington, o astro do momento, não demonstra o carisma algum como o Perseu. Liam Nesson – o Zeus – anda numa má fase, interpretando papéis dos quais provavelmente se envergonhará daqui a alguns anos. Ralph Fiennes apresenta aqui a personificação de Hades, que em momento algum assusta como se propõe, chegando a quase se tornar um humor involuntário na história.

É no roteiro que se encontra o pior elemento, e chave fundamental para tornar o filme condenado a se tornar um remake que mal sucedido. As cenas de ação, apesar de bem executadas, quase sempre são gratuitas. Os diálogos e poucos momentos de calmaria parecem ser apenas um link entre as correrias e batalhas que se sucedem, despertando uma dramaticidade nula. Não há preocupação alguma com a construção do personagem central. Ele é pescador numa cena e, na seguinte, um destemido guerreiro e praticamente invencível. A presença do humor em personagens coadjuvantes piora ainda mais o resultado final. Para completar, há vários furos e outros personagens são simplesmente esquecidos – o conflito de Andrômeda é deixado de lado durante toda a película, só sendo explorado próximo ao clímax.

A atualização proposta se dá, essencialmente, nos efeitos especiais. Com a tecnologia vigente, foi possível tornar real a magnitude e grandiosidade dos eventos que ocorrem na saga do herói. Acompanhando a moda atual dos filmes em 3D, a Warner Bros. converteu para esta nova tecnologia o filme que tinha sido todo idealizado e finalizado anteriormente em 2D. O resultado é desprezível, a ponto de o próprio diretor desaprovar a escolha do estúdio. James Cameron (o mentor de Avatar) também utilizou Fúria de Titãs como um exemplo do que não deveria ser feito.

A trilha sonora é um dos pontos positivos da obra. Ramin Djawadi desenvolve uma trilha épica, que mantém o clima certo para cada momento. A fotogafia de Peter Menzies Jr. é correta, demonstrando a adrenalina nos momentos de tensão e contribuindo para a mise-en-scène (a movimentação em tela; encenação) que, por sinal, é muito bem construída.

Fúria de Titãs é um remake óbvio e desnecessário, que tenta se garantir na ação e efeitos especiais, em detrimento de um roteiro debilitado. Apenas se preocupa em melhorar esteticamente o original, mas, em nenhum momento, suprir os defeitos.

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Clash of The Titans (EUA, 2010). Fantasia. Ação. Warner Bros.
Direção: Louis Letterier
Elenco: Sam Worthington, Liam Nesson, Ralph Fiennes.

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Categorias
Ação, Críticas, Fantasia