CRÍTICA: Gigantes de Aço

Ação
// 20/10/2011

Com personagens manjados e uma história premeditada, Gigantes de Aço entretém só porque alcança um bom resultado nas cenas de boxe. o que, devemos entender, era o único propósito do longa. Mas ainda está bem longe de ter o mínimo necessário para ser lembrado por algum tempo após o fim da sessão.

Leia a crítica em “Ver Completo”.

Gigantes de Aço
por Eduardo Mercadante

Em um futuro próximo, o boxe como é conhecido atualmente não mais existe. Justamente pelas limitações da condição humana, os espectadores cansaram de assistir a homens lutando. Com o aperfeiçoamento da robótica, surge a possibilidade de se quebrar essa barreira, inovando o esporte e reconquistando o público. Nasce, então, o boxe entre robôs.

Charlie Kenton (Hugh Jackman) era um boxeador de renome que não conseguiu destaque e acabou aderindo à nova concepção do esporte. Kenton é o típico desportista hollywoodiano: Dedica sua vida ao esporte, porém abdica de relações sentimentais. Sua dificuldade em lidar com pessoas é posta em cheque quando a mãe de seu filho, Max – que ele havia abandonado –, vem a falecer, e ele se vê forçado a cuidar do garoto mesmo sem saber nada sobre a criança. Inicialmente, Charlie vende a guarda de Max para os tios, todavia acaba tendo que passar um tempo com ele. E a história se desenvolve justamente sobre a formação tardia dos vínculos pai-filho, facilitada, em parte, por haver um denominador comum entre eles: A paixão pelo boxe.

Visivelmente, o roteiro de Gigantes de Aço já abusa dos estereótipos. Escrito por John Gatins (Sonhadora), o longa é mais um trabalho para inglês ver. Os dois personagens principais são provas inegáveis disso. De um lado (interpretado por Dakota Goyo), o garoto independente tentando mostrar ao pai o quanto é suficiente ao mesmo tempo que clama por atenção. É quase gritante a tentativa de aproximar o personagem do teen star Justin Bieber: Mesmo cabelo, mesmos passos de dança; só faltou apelidar o robô de Baby. Do outro lado, Hugh Jackman volta a fazer o papel de saco de músculos com dificuldades sentimentais. Mais uns dois ou três papéis e o ator estará para sempre preso a esse estigma.

Apesar de todas essas razões para desvalorizar o preço do ingresso, o diretor Shawn Levy acerta em um ponto crucial: Se o filme é de boxe, há de se caprichar nas lutas. Entusiasmo é mais que certo, para quem é fã do esporte. E sob a perspectiva de alguém que já assistiu a disputas de Ultimate Fighting Championship em televisões de bares, os robôs conseguem empolgar de verdade – não tanto, mas conseguem. De fato, haverá – houve na nesta sessão – pessoas gritando e aplaudindo a cada combinação de golpes, sejam os adultos relembrando confrontos históricos que os marcaram, sejam adolescentes que decoraram sequências para usar combos em video games de luta.

Gigantes de Aço é mais um filme de boxe unido à comédia em moldes estadunidenses. No entanto, a combinação de ambos, por mais improvável que pareça, funciona. O longa não entrará para os anais do cinema, mas já tem presença e audiência garantidas em sessões de filme pipoca na TV.

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Real Steel (EUA, 2011). Ação. Disney Pictures
Direção: Shawn Levy
Elenco: Hugh Jackman, Evangeline Lily, Dakota Goyo

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Ação, Críticas