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Pré-estreou ontem em algumas salas de cinema do país o grande favorito ao prêmio de Melhor Filme no Oscar de domingo, Quem Quer Ser Um Milionário?, do diretor inglês Danny Boyle. Leia a crítica abaixo para entender o favoritismo do longa e se preparar para a noite de amanhã.

Quem Quer Ser Um Milionário?
Por Breno Ribeiro

Danny Boyle é um diretor versátil. De “dramas psicodélicos” (Trainspotting, A Praia) e comédias românticas (Por Uma Vida Menos Ordinária) a filmes pós-apocalípticos e catastróficos (Extermínio e Alerta Solar), Boyle mantém sempre uma marca. Marca essa que torna seus filmes dramáticos singulares. Nada de choros, cenas depressivas ou trilha sonora recheada de piano e violino. E são exatamente essas e outras características que criam o mais novo longa do diretor britânico, Quem Quer Ser Um Milionário?.

O filme conta a história de Jamal Malik, um jovem de origem pobre que está a uma questão de faturar o maior prêmio da televisão indiana em um programa de perguntas e respostas, que é preso por policiais após uma suspeita de fraude. Resta a Jamal contar e reviver toda sua vida, desde a infância miserável aos acontecimentos que o levaram até o programa, para provar seu conhecimento sobre as questões.

Para compor o roteiro, o roteirista Simon Beaufoy (baseado no livro Q&A, do indiano Vikas Swarup) faz uso de três narrativas distintas: a que se passa na cadeia, a exibição do programa do dia anterior usada pelos policiais em um vídeo cassete e as lembranças de Jamal sobre sua vida. Em nenhum momento, porém, as dificuldades e reviravoltas da vida do jovem são tratadas melodramaticamente ou a partir de diálogos tristes e desesperançosos. O mote principal do longa recai, muito mais do que apenas no dinheiro (como o título instiga), exatamente na esperança de Jamal em viver feliz ao lado de sua amada, Latika, de quem se separa em inúmeros momentos do longa.

Na mão de outros diretores ou roteiristas, o filme se tornaria excessivamente dramático e pesado. Porém, como já lembrado no começo da crítica, Danny Boyle não é o tipo de diretor que tenta arrancar lágrimas de seus espectadores. Dessa forma, o longa se torna em uma bela e empolgante história. Com planos que descrevem com exatidão a esperança sempre constante de Jamal (reparem em uma cena em que Jamal, ainda adolescente, reencontra um amigo de infância em um túnel e lhe pergunta sobre Latika. Boyle foca a conversa dos dois personagens de modo que ao final do túnel artificalmente escuro haja uma saída iluminada), o diretor ainda emprega outra de suas marcas ao chamar o compositor indiano A. R. Rahman para compor a trilha. Cheia de músicas e canções empolgantes, a trilha de Rahman não se deixa nunca levar pela tristeza de alguns fatos da vida do protagonista. Com duas canções que concorrem ao Oscar desse ano, o longa ainda se dá ao luxo de deixar de lado melodias tradicionais com pianos e violinos. Exigência de Boyle.

Com uma edição ágil e precisa, o longa foge completamente de todos os clichês do gênero. Apesar disso, a fotografia de Anthony Dod Mantle é o único elemento do filme que mantém nos lembrando da vida difícil de Jamal. Na maior parte das cenas, Mantle empalidece até mesmo cores fortes, como o turquesa e o laranja. Mas não pense nisso como um elemento solto no projeto. O diretor de fotografia realiza esse tipo de trabalho apenas para, nas cenas de encontros felizes entre Jamal e Latika, abusar de ambientes iluminados (notem como a cozinha de Javed é absurdamente branca) e contrastar com o que veio antes, em uma ótima representação da alegria de seus personagens (vejam ainda como o amarelo das roupas de Latika é vivo na cena da estação de trem, que se repete várias vezes ao longo da narrativa, na qual ela decide finalmente se unir a Jamal).

Contando ainda com atores jovens e mirins, o longa é feliz ao conseguir juntar atores talentosos (embora nenhum apresente interpretações brilhantes) que apresentam características semelhantes, o que ajuda para passagens de tempo mais críveis. Ainda, o filme consegue se resumir apenas em seus planos inicial e final, o qual não posso comentar muito, pois estragaria uma “surpresa” que na minha opinião é fundamental para o sucesso do projeto.

Concorrendo a dez justas categorias no Oscar desse ano e tendo arrebatado a grande maioria dos prêmios que concorreu, Quem Quer Ser Um Milionário? é o tipo de filme que nos faz sair da sala de cinema felizes e leves. Uma história clara sobre o quão forte e intensas são as forças do destino e, ainda, uma aula de como nunca se desistir de sonhos. Em uma época em que boa parte de nossos receios só faz aumentar, é interessante e revigorante assistir a algo que nos fará perceber a importância de se ter esperança e correr atrás dos sonhos.

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Slumdog Millionaire (Reino Unido, EUA; 2008) Drama. Europa Filmes.
Direção: Danny Boyle.
Elenco: Dev Patel, Anil Kapoor, Freida Pinto.

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Comentários via Facebook:

39 respostas para »CRÍTICA: Quem Quer Ser Um Milionário?»
  1. Esse filme é muito digno. O Danny Boyle foi foda por conseguir dirigir um filme na maior parte do tempo mostrando crianças indianas. A trilha sonora é boa também. Só a dança do final foi desnecessária rs. Mas boa crítica. Um olhar interessante em algumas coisas que passaram imperceptíveis pra mim.

  2. Verei esse filme em breve, também entrou em pré-estréia aqui.

    Podiam mudar meu avatar, ele é tão “triste”.

  3. É um bom filme, mas quem levará o prêmio de melhor filme? Provavelmente “Benjamin Button”: “Quem Quer Ser um Milionário?” é caloroso, mas a Academia não vai querer encorajar outros cineastas a terceirizarem suas produções para a Índia, de custos mais baixos.

  4. [...] Fonte Pipoca Combo [...]

  5. Eu não consigo gostar tanto assim desse filme. Não achei lá essas coisas que todos falam.

  6. Arthur [2]
    Não acho que mereça o Oscar. É bom, ok, mas nem é pra tanto.

  7. Isso.

  8. Inveja é fogo.

    Q

  9. Adorei, merece o Oscar. Mas ainda prefiro Benjamin dos indicados

  10. Ainda prefiro Star Wars.

  11. Meu favorito.
    Acho injusto perder o Oscar mesmo sendo destaque no Globo e Ouro e no Bafta.

  12. Concordo com o Arthur and Érika, rere. É “caloroso” e traz uma mensagem de “esperança”, maaas… é bastante panaquinha, riri. Juno ou Little Miss Sunshine não chegaram a isso.

    Interessante que vez ou outra há alguma crítica social, acho. Exemplo: o garoto pular num poço de merda só por causa de um superstar. Não me espanta pessoas chegarem à merda por causa de… certas coisas. O filme em si pode soar como uma crítica irônica ao estilo Forrest Gump.

    Filme, direção, roteiro e fotografia, pra mim, não são desse filme. Aliás, a fotografia parece importada dos nossos favelas movies.

    Mas eu gostei da Edição!

    :D

  13. Ah, “o filme em si pode soar como uma crítica irônica ao estilo Forrest Gump”, acho que ‘à la’ Forrest Gump ficaria mais adequado pra interpretação.

  14. Nossa…Fotografia de nossos filmes, melhor star wars, bastante panaquinha, dança no final desnecessaria….hehehehe…tem certeza que vcs viram mesmo QUEM QUER SER UM MILIONARIO??
    A Fotografia é espetacular naquilo que se espera dela na narrativa. Star wars está a anos luz deste filme…numa galaxia muito muito distante…desconfio que qualquer jedi não sobreveria a uma vida de pobreza aqui ou na india…hehehe. Bastante panaquinha seria melhor aplicado aos lixo que costumamos ver no Brasil…tipo…Se Eu Fosse Vc 1 e 2. E a Dança é uma celebração de uma vida marcada por dor e sem desistir de sonhar…completamente necessaria e bela para o final do filme.
    Aconselho a todos a ver o filme novamente…

  15. Por muitos críticos e, diga-se de passagem estrangeiros também, o filme foi comparado ao Cidade de Deus pela Fotografia. Fica a super dica que até o Boyle se sentiu ofendido por essas comparações.

    E, quanto a dança, que eu nem falei: “para fechar esse abacaxi, ocorreu a alguém transformar tudo em musical (é como o filme termina – e não há problema em saber, não tem nada a ver com a história): é como se a inconseqüência final livrasse o filme da infâmia. Não livra.”. A dança é uma arte, portanto não pode ser valorizada apenas como “uma vida marcada por dor e sem desistir de sonhar”

    E acho que seja panaquinha, sim, é um filme sem pretensão alguma. Celebração de “vida maracada por dor” e persistência pelo sonho? No final ele é bem claro quando fala que tudo foi obra do destino. Rarará, comparável àquelas histórias em que o protagonsita passa por “altas aventuras em busca do seu grande amor” pra no final tudo dar certo; claro, obra do destino. E se ele tinha alguma pretensão, se perdeu num romance bobo que sequer emociona; por sorte coisas bobas tendem a enternecer nossos corações, rere. Só pra marcar bem a panaquice geral: já viram filmes em que o protagonista tem que cortar o fio vermelho da bomba antes do tempo terminar e ele faz isso no último segundo? Pense na cena em que Latika corre pra atender o celular e só atende no último segundo.

    Enfim, gostaram porque se empolgaram com o filme, só que esqueceram de parar pra pensar depois.

  16. SuperOdiei.ETáMalEscritaACrítica,Hein.
    MeuTecladoTáSemEspaço. -.-
    [i]“Com duas canções que concorrem ao Oscar desse ano, o longa ainda se dá ao luxo de deixar de lados melodias tradicionais com pianos e violinos. [/i]
    DeixarDeLados,Querido?QueProfessorDeGramáticaTeEnsinouIsso??
    OCorretoÉ”DeixarDeLado”,Tá.TscTsc.

  17. Se tem uma coisa que eu não preciso são aulas de gramática, Bernardo.

  18. Button merecia esse Oscar.
    Button merecia.
    Slumdog levou, mas …

  19. Fala sério… Benjamin deveria levar o Oscar… sem sombras de dúvidas… Tudo nesse filme é perfeito: fotografia, roteiro, maquiagem, trilha sonora (que não sai da cabeça de quem vê…). E é um filme comovente, sem ser piegas, que muda a vida de quem o assiste. Mas como já bem conheço o Oscar… ele privilegia de acordo com os gostos do povo. E essa história de Oriente (que não é novidade para ninguém…) sempre causa “impactos”. Dito: Benjamin Button é muito mais verossímil.

    Abçs!

  20. Acabei de assistir a ‘Quem quer ser um Milionário’, assisti ao Benjamim Button… O primeiro é legalzinho, mas… historinha de amor fraca, o segundo é intrigante, mas .. acredito que Batman foi muito mais filme que ambos (tirando a atuação do próprio batman, que é totalmente dispensável (!) ). Um filme completamente imprevisível, que me deixou grudado na cadeira, merecia o oscar.

  21. Ah, eu toda hora achava que no “Quem quer ser um milionário’ iria aparecer o Silvio Santos falando… ‘Agora, a pergunta valendo um milhããummmm de reais!!!” kkk

  22. Não sei o que viram de tão bom em Benjamin Button, achei “Quem Quer Ser um Milionário” bem melhor.

  23. Eu gostei de Benjamin Button, mas não dá pra comparar com Slumdog: esse último é muito melhor e creio que merecia mesmo o Oscar (não cheguei a ver Frost/Nixon e Milk, mas não creio que esses sejam tão bons assim).

    Eu achei essa crítica excelente, Breno.

  24. [...] qualidade desta produção. Além de ser essencial para esta história.” Breno Ribeiro do Pipoca Combo vai além, provando o quanto o pesado roteiro poderia ter se tornado um grande dramalhão na mão [...]

  25. Goto é da musiquinha tocada na entrega de Oscars:

    “Já errou! … Já errou! … Já errou!”

    Assistam, ouçam essa música, é assim mesmo! husiahsih

  26. Willis de Faria diz:

    Vi o filme, e há muito tempo eu não me sentia envolvido pelo decorrer da história. O drama indiano é um filme que tem começo, meio e fim. Rodado na periferia de Mombai, uma cidade de milhões de habitantes, mostra a verdadeira face da Índia, dos impuros na sociedade castas sociais na Índia. Conta a trajetória miserável dos irmãos órfãos e favelados Salin e Jamal e a órfã também menina de rua Latifa, que desde a infância, crescem como meninos de rua. Jamal, ao participar de um programa de TV ao vivo, será o ganhador de um game show indiano de TV, o “Slundog Millionaire”, conquistando 40.000 rúpias. 90 milhões de Indianos assistem ao programa ao vivo e torcem pelo impuro Jamal. Um filme que já recebeu merecidamente 11 indicações para prêmios britânicos e já conquistando sete. Vencedor do Globo de Ouro, ganhando 04 prêmios, incluindo o melhor drama. Tem grandes chances de ser o ganhador do Oscar de melhor filme. Filme imperdível, pelo envolvimento do espectador na história do filme. Indiscutivelmente, foi o merecedor do Oscar. No0ta 10,0.

  27. Filme com toque de sutileza, e ao mesmo tempo intensividade, as comparações que fazem com outros filmes é comum, afinal são apenas críticas, o melhor crítico é você mesmo. Confie nos seus instintos é disso que fala o filme. Pessoas inteligentes irão adorar o filme pode ter certeza…

  28. eu gosteii do filme, elle tem uma boa história de vida :D
    mas eu ainda prefiro: AS PANTERAS, CAÇADOS E TROPA DE ELITE (66′

  29. O “povão” não entende de linguagem de cinema (também não precisa…)
    As 8 estatuetas que “Slumdog Millionaire” levou foram muito bem merecidas
    fiquei sem folego com a “montagem” (termo para edição) sem deixar de lado a magistral fotografia.
    Parabéns e vida longa para “Bollywood” nos tempos de crise de produção e roteiros originais
    em hollywood

  30. Gostaria de saber o nome da música que é toque do celular que aparece no filme. Foram duas cenas… A primeira quando ele conversa com o irmão num prédio abandonado e a segunda é quando o celular está dentro do carro e ela corre pra atender… Vc poderia me ajudar?
    Obrigado,

  31. Gostaria de saber o nome da música que é toque do celular que aparece no filme. Foram duas cenas… A primeira quando ele conversa com o irmão num prédio abandonado e a segunda é quando o celular está dentro do carro e ela corre pra atender… Vc poderia me ajudar?
    Obrigado,

  32. Pessoal o toque do celular do Salim é o tema de “Os Infiltrados”, a musica é:

    Dropkick Murphys – I’m Shipping Up To Boston

  33. eu ja vi o filme e recomendo!!! ele e muito legal!!! meio retardado mais e legal!!!

  34. mario dies castro diz:

    Me encomoda certas avaliações embasadas ,apenas nos louros pelos de oito oscars.
    ressalta para a pessoa que disse povão,certamente ela é daquelas pessoas que adoram falar em humor inteligente e outros clichês ,esses lançados para se dar de “entendida”……..

    o filme tem muitas qualidades ,mas param de apologias ele vez maior sucesso porque é ecletico.

  35. Ouuu….a musica nãão é essa nãão…..é uma diferente e que voce passou o nome é rock,mas a que toca no telefone é tipo um dance parecido com stereo love!

  36. gentii eu tbm quero essa musica do cell do salim!

  37. gennteeee axeii a musicaaaaaaaaaa http://www.youtube.com/watch?v=u1s2cMye5nU&feature=related queim kiser está aii!!!!

  38. Henrique

    “Não concordo com o que dizes, mas defenderei até a morte teu direito de dizê-lo”
    é um filme excelente ,meio fictício mais qual filme não é, foram gastos 15,000,000,00 e arrecadou 300,000,000,00 ótimos atores mirins na verda acho eles e que deveriam ganhar o oscar “brincadeira”

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