CRÍTICA: Quem Quer Ser Um Milionário?

Críticas
// 21/02/2009

Pré-estreou ontem em algumas salas de cinema do país o grande favorito ao prêmio de Melhor Filme no Oscar de domingo, Quem Quer Ser Um Milionário?, do diretor inglês Danny Boyle. Leia a crítica abaixo para entender o favoritismo do longa e se preparar para a noite de amanhã.

Quem Quer Ser Um Milionário?
Por Breno Ribeiro

Danny Boyle é um diretor versátil. De “dramas psicodélicos” (Trainspotting, A Praia) e comédias românticas (Por Uma Vida Menos Ordinária) a filmes pós-apocalípticos e catastróficos (Extermínio e Alerta Solar), Boyle mantém sempre uma marca. Marca essa que torna seus filmes dramáticos singulares. Nada de choros, cenas depressivas ou trilha sonora recheada de piano e violino. E são exatamente essas e outras características que criam o mais novo longa do diretor britânico, Quem Quer Ser Um Milionário?.

O filme conta a história de Jamal Malik, um jovem de origem pobre que está a uma questão de faturar o maior prêmio da televisão indiana em um programa de perguntas e respostas, que é preso por policiais após uma suspeita de fraude. Resta a Jamal contar e reviver toda sua vida, desde a infância miserável aos acontecimentos que o levaram até o programa, para provar seu conhecimento sobre as questões.

Para compor o roteiro, o roteirista Simon Beaufoy (baseado no livro Q&A, do indiano Vikas Swarup) faz uso de três narrativas distintas: a que se passa na cadeia, a exibição do programa do dia anterior usada pelos policiais em um vídeo cassete e as lembranças de Jamal sobre sua vida. Em nenhum momento, porém, as dificuldades e reviravoltas da vida do jovem são tratadas melodramaticamente ou a partir de diálogos tristes e desesperançosos. O mote principal do longa recai, muito mais do que apenas no dinheiro (como o título instiga), exatamente na esperança de Jamal em viver feliz ao lado de sua amada, Latika, de quem se separa em inúmeros momentos do longa.

Na mão de outros diretores ou roteiristas, o filme se tornaria excessivamente dramático e pesado. Porém, como já lembrado no começo da crítica, Danny Boyle não é o tipo de diretor que tenta arrancar lágrimas de seus espectadores. Dessa forma, o longa se torna em uma bela e empolgante história. Com planos que descrevem com exatidão a esperança sempre constante de Jamal (reparem em uma cena em que Jamal, ainda adolescente, reencontra um amigo de infância em um túnel e lhe pergunta sobre Latika. Boyle foca a conversa dos dois personagens de modo que ao final do túnel artificalmente escuro haja uma saída iluminada), o diretor ainda emprega outra de suas marcas ao chamar o compositor indiano A. R. Rahman para compor a trilha. Cheia de músicas e canções empolgantes, a trilha de Rahman não se deixa nunca levar pela tristeza de alguns fatos da vida do protagonista. Com duas canções que concorrem ao Oscar desse ano, o longa ainda se dá ao luxo de deixar de lado melodias tradicionais com pianos e violinos. Exigência de Boyle.

Com uma edição ágil e precisa, o longa foge completamente de todos os clichês do gênero. Apesar disso, a fotografia de Anthony Dod Mantle é o único elemento do filme que mantém nos lembrando da vida difícil de Jamal. Na maior parte das cenas, Mantle empalidece até mesmo cores fortes, como o turquesa e o laranja. Mas não pense nisso como um elemento solto no projeto. O diretor de fotografia realiza esse tipo de trabalho apenas para, nas cenas de encontros felizes entre Jamal e Latika, abusar de ambientes iluminados (notem como a cozinha de Javed é absurdamente branca) e contrastar com o que veio antes, em uma ótima representação da alegria de seus personagens (vejam ainda como o amarelo das roupas de Latika é vivo na cena da estação de trem, que se repete várias vezes ao longo da narrativa, na qual ela decide finalmente se unir a Jamal).

Contando ainda com atores jovens e mirins, o longa é feliz ao conseguir juntar atores talentosos (embora nenhum apresente interpretações brilhantes) que apresentam características semelhantes, o que ajuda para passagens de tempo mais críveis. Ainda, o filme consegue se resumir apenas em seus planos inicial e final, o qual não posso comentar muito, pois estragaria uma “surpresa” que na minha opinião é fundamental para o sucesso do projeto.

Concorrendo a dez justas categorias no Oscar desse ano e tendo arrebatado a grande maioria dos prêmios que concorreu, Quem Quer Ser Um Milionário? é o tipo de filme que nos faz sair da sala de cinema felizes e leves. Uma história clara sobre o quão forte e intensas são as forças do destino e, ainda, uma aula de como nunca se desistir de sonhos. Em uma época em que boa parte de nossos receios só faz aumentar, é interessante e revigorante assistir a algo que nos fará perceber a importância de se ter esperança e correr atrás dos sonhos.

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Slumdog Millionaire (Reino Unido, EUA; 2008) Drama. Europa Filmes.
Direção: Danny Boyle.
Elenco: Dev Patel, Anil Kapoor, Freida Pinto.

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Críticas, Drama