CRÍTICA: Resident Evil 4: Recomeço

Ação
// 16/09/2010

Neste fim de semana é lançado aqui no Brasil o quarto longa-metragem baseado na série de jogos Resident Evil. A sequência já tem um público cativo que paga pra ver a linda Milla Jovovich detonar com alguns zumbis monstrengos. A força da franquia é tamanha que já há a promessa para o quinto filme, mal lançado este ao redor do mundo. No entanto, aos olhos da crítica, esse sucesso é apenas virtual. Os elogios não passam das cenas de ação. Para o bem ou para o mal, essa nota continua sendo comprovada em Resident Evil 4: Recomeço.

Resident Evil 4: Recomeço
por Henrique Marino

Quem assume a frente do projeto é Paul W.S. Anderson, que, na verdade, já está à frente do projeto desde o início escrevendo os roteiros da franquia; a diferença é que só dirigiu o primeiro, e volta agora para a direção do quarto, o que lhe dá maior controle sobre a produção da obra. Paul W.S. Anderson se mostra, então, um realizador ambivalente. Ao passo que seu roteiro pobre e fraco se desenrola, ele aproveita as cenas de ação para mostrar o que ele sabe de melhor na arte das imagens cinematográficas, e às vezes põe na tela o que aprendeu de melhor no cinema, utilizando-se mesmo de referências.

A tenuidade do fio que amarra a narrativa torna esta esquecível; isto é, a fraqueza do argumento utilizado para a criação do filme não é mais que um motivo para a sucessão de cenas de ação que a produção tem a oferecer. É pouco conteúdo para muita forma. O público é anestesiado pela imagem da bela Milla Jovovich, uma heroína poderosa e feminina, protagonizando sequências tensas.

O roteiro se propõe a contar como Alice (Jovovich) volta a ser humana – até então ela carregava a consequência de experiências gênicas que a tornava poderosa – e busca um refúgio dos zumbis e do vírus que infecta o mundo. O suposto refúgio está localizado em Arcadia, espaço que será motivo de suspende durante a trama. Nessa jornada, Alice reencontrará amigos e acompanhará um grupo que também busca abrigo longe do mal que desola o planeta.

O objetivo do roteiro é cumprido, de fato. Mas o cumprimento desse objetivo denuncia a carência de uma série de requisitos que o público refinado exige. A mudança, por exemplo, do estado físico de Alice – de “super-humana” para “humana ordinária” – poderia render algum discurso sobre os efeitos dessa virada gerados na personalidade da personagem. No entanto, isto não é feito ou sequer tentado. Em Resident Evil 4 não existe espaço para subtexto algum, nem que seja prosaico ou superficial. O filme se limita a oferecer muitos tiros, golpes, mortes, zumbis…

Embora no roteiro seja fraco, Paul W.S Anderson se mostra suficientemente competente na direção. Abusa, como bem deveria, de todos os recursos que tem a mão. Logo no início do filme, o diretor faz uma bala fluir vagarosamente no espaço 3D direto para a cara do espectador a ponto de preencher todo o plano com sua imagem, para depois acompanhá-la à sua meta: o corpo de um inimigo. Assim, o diretor explora o 3D e cria imagens surpreendentes. Vale lembrar que em muitos momentos essas balas fluem no espaço como as vistas em Matrix; em câmera lenta, é possível ver o vácuo que a bala cria no ar atrás de sua trajetória; trata-se de uma referência bastante clara que também será constatada no desenho do antagonista, que em muito lembra o agente Smith.

A câmera lenta é muito usada para mostrar em detalhes o desenrolar de ações extravagantes. E, graças à competente equipe técnica responsável pelos efeitos especiais, o recurso slow-motion, longe de denunciar falhas e fazer a produção passar vexame, ilumina mais o brilhantismo das imagens bem criadas.

Em tempos de A Origem, de Christopher Nolan, onde o conteúdo é elevado ao nível da forma, um longa como Resident Evil 4 soa supérfluo. Mas, ainda assim, o produto imagético que ele oferece, especialmente em saldas de alta tecnologia, como IMAX em 3D, tem alguma validade; e provavelmente essa validade será suficiente para agradar o gosto dos fãs.

Resident Evil 4: Afterlife (EUA, 2010). Terror. Ação. Sony Pictures.
Direção: Paul W.S. Anderson
Elenco: Milla Jovovich

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Ação, Críticas, Terror