CRÍTICA: Thor

Ação
// 27/04/2011

Uma semana antes de chegar às telas norte-americanas, Thor atinge o Brasil para dar início á leva final de filmes solo de heróis da Marvel para estabelecerem o Universo compartilhado presente em Os Vingadores. Entretanto, parece que o único motivo da realização do filme é exatamente esta: lançar um personagem nas telas para que em 2012 o público já esteja familiarizado com ele. Apenas.

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Thor
por Breno Ribeiro

Qualquer pessoa que acompanhe notícias sobre o mundo do cinema pipoca já sabe que a Marvel Studios pretende lançar no próximo ano um filme com OsVingadores. O filme, sendo uma adaptação da história em quadrinhos que inclui alguns heróis do Universo Marvel, contaria com a presença do Homem de Ferro, Hulk, Capitão América e Thor. E enquanto os filmes “solo” dos dois primeiros funcionam bem independentemente do que virá em 2012, Thor parece mais preocupado em preparar o personagem-título para se acomodar ao cenário de Os Vingadores do que possuir uma coerência independente. Falha número um.

A história começa quando a cientista Jane Foster (Natalie Portman – sua presença garantiu ao filme uma nota duas vezes maior) encontra um homem desconhecido desmaiado no meio do deserto depois do que parecia ser um furacão. A narrativa, então, volta no tempo para explicar como aquele homem, na verdade o deus nórdico Thor (Chris Hemsworth), fez para ser mandado para a Terra sem seus poderes e sua relação difícil com o pai Odin (Anthony Hopkins) e amigável com o sonso irmão Loki (Tom Hiddleston).

Como podem perceber, a descrição feita acima em nada parece muito interessante. E não o é. A trama do longa, sem saber direito em que parte dessa premissa focar, se perde na tentativa vã de dar espaço e voz para todos os personagens possíveis. Logo, nenhum deles é realmente desenvolvido. Os motivos de Loki, por exemplo, nunca ficam claros para o espectador, pois assim que descobrimos junto com o personagem de algo que poderia ser justificado como um motivo para suas ações, nos lembramos de que ele na verdade iniciara seu plano antes daquilo. Assim sendo, o discurso final do vilão – ao lado da atuação fraca e exagerada de Hiddleston – nunca convence e o espectador pode deixar a sala de projeção com a compreensível impressão de ter sido enganado. O mesmo acontece com a súbita e instantânea paixão entre Thor e Jane. Enquanto demoram boa parte de sua história com uma perseguição aborrecida de Thor pelo seu martelo, os roteiristas Ashley Edward Miller, Zack Stentz e Don Payne (que devem se sentir muito espertos lançando todos seus conhecimentos sobre o universo Marvel sempre que encontram uma brecha) pecam em nunca estabelecer entre o casal principal qualquer tipo de química e/ou trama. Chega a ser incômodo observar o amor repentino dela por ele depois de tão pouco tempo de projeção juntos e sem nada que realmente os leve a se aproximarem.

No mesmo ritmo ágil e sem sentido do roteiro, surgem os efeitos especiais. Por vezes confusos e com cortes rápidos – o que é mais fácil de fazer –, eles possuem altos e baixos, assim como a direção de arte. Algumas tomadas de Asgard, por exemplo, são muito bonitas e bem feitas, enquanto outras – com destaque para aquela ponte estranhíssima, a Ponte do Arco-Íris (que nomezinho, hein) – jamais convencem. As batalhas são cansativas e, por vezes, mal dirigidas, embora a direção de Kenneth Branagh tenha lá seus (poucos) momentos. Enquanto isso, a trilha de Patrick Doyle se arrasta preguiçosa durante todo o longa, falhando em nunca criar um tema central para a história e se resumindo à bateção de tambores nas cenas de Asgard.

Falhando como filme independente e, talvez, funcionando mais como uma prévia de Os Vingadores – como a cena pós-créditos demonstra –, Thor nunca emplaca. Arrastado desde a exaustiva história de como o personagem-título foi parar na Terra até o indolente final, o longa cansa muito antes de sua metade. Ainda, possuindo personagens demais sem nunca estabelecer um laço crível entre eles, o filme demonstra ser um conjunto de indivíduos apáticos e sem nenhum carisma. O jeito é mesmo esperar Os Vingadores ano que vem, já que esse prólogo não foi muito satisfatório.

PS: Não, nunca li nenhuma HQ de Thor ou do que quer que seja da Marvel. Essa crítica aponta e julga – como acredito que deve ser – apenas o que foi acompanhado por duas horas em uma tela de cinema.

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Thor (EUA, 2011). Ação. Paramount Pictures
Direção: Kenneth Branagah
Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Anthony Hopkins, Rene Russo
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Ação, Críticas, HQ's