CRÍTICA: Um Sonho Possível

Críticas
// 26/02/2010

Para este ano a academia resolveu indicar dez filmes para o Melhor Filme do ano. A maioria dessas indicações é bem justificada; bons ou ótimos filmes que mereceram essa posição de destaque no ano de 2009. Um Sonho Possível, no entanto, faz a exceção, embora também tenha a sua justificativa para estar lá.

Um Sonho Possível
por Henrique Marino

Conta-se uma história baseada em fatos reais: a de Leigh Anne (Sandra Bullock)– e sua família – que, em primeira instância, ajuda um rapaz desencaminhado chamado Michael Oher (Quinton Aaron); mais tarde ele será adotado legalmente. O longa se foca na superação deste rapaz pelo auxílio de Leigh Anne.

São esses dois personagens, então, os carros-chefes de toda a trama. Um, o “Big Mike” – apelido de Michael Oher –, parece ser um agente ocioso, enquanto Leigh Anne se assemelha a uma força irrefreável, um furacão. Assim temos que a força empurra o agente ocioso. Os méritos de superação são exclusivos de quem? Pois é. É esta personagem que se sai como protagonista, ela terá o melhor desenho. Aliás, é o bom desempenho deste desenho que dá grandes chances à estatueta a Sandra Bullock; nada mais. Apesar disso, tenta-se colocar o insosso Michael Oher, de um também insosso Quinton Aaron, neste nível. Recurso faltoso, porque o personagem soa como um boneco de Leigh Anne, destituído de vontade própria. Ao fim do longa, a última problemática lida com esta sensação na tentativa frustrada de justificá-la.  O desfecho não convence.

Também é trabalhada a relação de Big Mike com outro personagem, o S.J., filho de Leigh. Ainda que o retrato da relação possa ser baseado em fatos reais, ele é recheado de clichês. É abusado o contraste cômico de ambos. O pior deste recurso nem é por ser clichê, mas pelo o que ele ajuda a construir.

Um Sonho Possível é um filme muito otimista. É tanto otimismo que a o drama se dilui nele. As problemáticas desaparecem na história de tão fácil que são resolvidas.  Momentos pesados são postos abaixo pela direção tímida e simplória, não conseguindo ter um ápice assim. Daí apela-se para um sentimentalismo mal construído, sempre justificado pelo otimismo.

Mas afinal, qual o trunfo da produção? A mensagem. Apesar de todas as falhas e dos afetos, o filme ainda carrega bem a mensagem a que se propõe: a de superação. Assunto que se encaixa perfeitamente para os dias atuais, que são de pós-crise e a promessa de esperança de um governante negro. Quer dizer, o filme traduz o pensamento que a atualidade nos empurra. É uma indicação jornalística, se assim podemos dizer. Passável enquanto obra cinematográfica, e muito estadunidense.


The Blind Side (EUA, 2009). Drama. Warner Bros.
Direção: John Lee Hancock
Elenco: Sandra Bullock, Kathy Bates, Quinton Aaron.

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Críticas, Drama