Dez filmes que completam 10 anos em 2017

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// 01/01/2017
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A pior parte do Ano Novo é fazer as contas e perceber que aquele filme que você assistiu na estreia com os amigos há um tempinho na verdade chegou aos cinemas há (já!) dez anos. O sentimento de que estamos ficando velhos bate instantaneamente no coração. De 2007 pra cá, muita coisa na indústria mudou. O 3D virou obrigatório para blockbusters, o preço do ingresso inflacionou absurdamente a ponto de qualquer filme de sucesso quebrar a marca de 1 bilhão de dólares em arrecadação (um feito raríssimo naquela época, dava-se pra contar nos dedos de uma mão – e sobrar – os títulos que tinham alcançado a marca) e a rede Blockbuster, líder de aluguel de filmes no mundo, faliu. Hoje, o intervalo de tempo entre a sala de exibição e o home video diminuiu drasticamente, que aliás nem é mais sustentado pelo DVD, mas sim pelos serviços de streaming e lançamentos robustos em Blu-Ray (já tão popular e baratinho) para colecionadores. E nenhuma superprodução baseia o seu marketing em apenas 2 trailers, alguns pôsteres e meros comerciais de TV.

Mas quais foram os lançamentos que lá em 2007 levaram multidões às salas? Quais ainda têm um valor significativo pra gente hoje e, mesmo lá atrás, nem pareciam tão importantes, mas acabaram determinando algumas figurinhas certas dos maiores (e melhores) filmes da atualidade?

Encantada

O que deveria ser um filmeco infantil da Disney acabou sendo uma produção cujo texto agradou até os pais que levaram as crianças aos cinemas. Com canções inspiradas (que renderam 3 indicações ao Oscar) e efeitos visuais até bem feitos para o orçamento, Encantada acabou se transformando em um guilty pleasure pra muita gente que se divertiu com um longa Disney que zombava do próprio formato do estúdio. Mas o maior trunfo do filme foi a revelação de Amy Adams, que no ano seguinte já garantiu sua primeira indicação de coadjuvante ao Oscar (com Dúvida, de 2008 – a indicação, na verdade, veio na edição do prêmio de 2009).  Adams se tornou uma das estrelas mais populares de Hollywood e, em 2017, tem grandes chances de ser mais uma vez indicada a Melhor Atriz por A Chegada ou Animais Noturnos.

 

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Harry Potter e a Ordem da Fênix

Há dez anos já estávamos no quinto filme da maior série do cinema na época (ainda uma das maiores hoje). Ordem da Fênix foi a segunda maior bilheteria de 2007 e o primeiro filme da franquia dirigido por David Yates. O resultado do diretor foi tão bem recebido pelo estúdio e pela crítica que convenceu a Warner Bros. em deixá-lo guiar toda a trama de Harry Potter até o final. A escolha não poderia ser mais acertada: todos os quatro filmes dirigidos por Yates foram bastante elogiados, principalmente o último, que entrou até na corrida por uma indicação ao Oscar de Melhor Filme em 2011.

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Homem-Aranha 3

Um primeiro filme incrível e uma continuação excelente. E parou por aí. Em 2007, a trilogia inicial do Homem-Aranha chegou ao seu último (mesmo que não previsto) filme com uma expectativa absurda e um desapontamento de igual tamanho. Com vilões demais e trama um pouquinho preguiçosa, o filme acabou ganhando uma boa bilheteria (inferior ao anterior), mas a repulsa de muitos fãs do herói e de filmes do gênero. A bola de neve foi tão grade que a Sony acabou fazendo um reboot da série, que também não deu muito certo e já será rebootada novamente em 2017, agora em parceria com a Marvel Studios.

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Piaf – Um Hino ao Amor

A história da cantora Edith Piaf se transformou em um dos dramas mais célebres do cinema em 2007 e um dos títulos mais adorados do gênero biográfico. O maior feito comercial do longa, no entanto, foi lançar a atriz francesa Marion Cottilard ao mundo, abocanhando o Oscar de Melhor Atriz e ótimos papéis em grandes produções, como A Origem e Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge.

 

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Piratas do Caribe – No Fim do Mundo

Piratas do Caribe nunca deveria ter ido além do primeiro (e divertido) filme. Mas se transformou numa franquia incrivelmente lucrativa. No Fim do Mundo, o último da primeira trilogia, era a prova cabal de que tudo foi elaborado em cima da hora e que ninguém nunca planejou criar uma série de vários filmes do Jack Sparrow. Com uma história feita exclusivamente pra proporcionar cenas de ação, o longa pelo menos contava com efeitos visuais embasbacantes e uma trilha sonora muito mais inspirada do que o dos longas anteriores (e a melhor até agora).

 

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Ratatouille

A animação vencedora do Oscar na categoria em 2008 (que premia os filmes de 2007) ganhou o público pelo charme e a crítica pelo “papo amigável” com ela: com uma excelente analogia, o filme levantava a importância da crítica especializada no direcionamento e qualidade do trabalho de um profissional (o próprio Cinema?). Com renderização surreal e uma iluminação impecável, Ratatouille quase convencia o espectador de que a comida na tela era real, e não computação gráfica. A fome proporcionada, no entanto, era bem verdadeira.

 

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Os Simpsons – O Filme

Durante aproximadamente duas décadas, os fãs da mais longa série de TV clamaram por um episódio nos cinemas. E em 2007 ele chegou. Com boas piadas e fazendo uso da animação tradicional em 2D, Os Simpsons – O Filme agradou, mas não causou o furor suficiente para uma grande bilheteria (e nem era esperado). Até hoje o público aguarda por uma continuação, mas os produtores da série já afirmaram que isso só vai acontecer se eles tiverem uma boa história que realmente valha a pena levar pra telona novamente.

 

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Stardust – O Mistério da Estrela

Talvez um dos filmes mais subestimados de 2007, Stardust é, na verdade, tudo aquilo que a gente sente muita falta nos filmes de hoje: bom elenco, boa direção, boa Direção de Arte, bons efeitos visuais, boa história e ótimos elementos de fantasia e aventura entrelaçados. O longa com Claire Danes (que já ganhou incontáveis Globos de Ouro nos últimos anos com a série Homeland) e Charlie Cox (o Demolidor, da série da Netflix) tinha uma história encantadora com uma direção segura de Matthew Vaugh. Não é à toa que ele comandou os excelentes Kick-Ass e X-Men: Primeira Classe. O longa vale ainda pelos ótimos personagens de Robert DeNiro e Michelle Pfeiffer.

 

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Tropa de Elite

Um dos maiores acertos do cinema nacional em anos, Tropa de Elite ditou inúmeros bordões entre o público e garantiu uma bilheteria gorda mesmo tendo sido vazado e comercializado por camelôs um mês antes de seu lançamento oficial. O longa, que conta a trama do Capitão Nascimento, foi o pontapé para que o diretor José Padilha não só tivesse a chance de produzir um segundo filme ainda melhor (e mais caro) como chegasse até Hollywood e comandasse a nova versão do Robocop. Já Wagner Moura, hoje, é o protagonista da série Narcos, da Netflix, que o garantiu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator em série de TV.

 

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Transformers

Sim. Há dez anos somos obrigados a aturar a sofrência que é a direção de Michael Bay viciada em câmera inclinada, explosões, contrastes de azul e laranja, supersaturação e por do sol com iluminação quebrada. É tão ridículo que chega a ser um clichê ambulante. Transformers não teve sequer um filme bom (você pode achar foda porque provavelmente se impressiona fácil com pancadaria, mas são filmes ruins), não conta com cenas de ação bem pensadas (são bem feitas, mas não bem pensadas – à exceção da ótima sequência do prédio despencando no terceiro filme) e nem um elenco interessante. Mas, não por isso, esteja ileso. O primeiro filme foi uma das maiores injustiças dos Oscars técnicos, quando perdeu na categoria de Melhores Efeitos Visuais para o tão ruim quanto, A Bússola de Ouro, cujos efeitos estavam anos-luz inferiores aos dos robôs da Hasbro.

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